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Swing troca de endereço devido à inflação e aos aplicativos

FolhaPress 10/08/2025 13:48

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não está barato fazer sexo no Brasil, afirmam praticantes de swing. A procura pelo fetiche só aumenta, assim como o preço do ingresso em espaços voltados à prática. Resultado: a troca de casais está trocando de cenário, dizem os frequentadores.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As casas liberais, com cenários temáticos, cedem espaço para encontros mais intimistas, organizados pelos próprios adeptos em seus lares. Redes sociais e aplicativos aceleram os convites, que, devido à demanda, pipocam e desaparecem rapidamente.

Gabriela Maia, 25, confirma isso. No último fim de semana, após um dia estressante no trabalho, a jovem chegou em casa, na zona norte de São Paulo, e resolveu relaxar com o marido. Não rolou, faltava algo. Chamou um casal de vizinhos. Em minutos, todos dividiam a mesma cama.

Moradora da zona sul de São Paulo, ela abriu o relacionamento há dois anos. Tudo começou numa casa de swing, mas hoje a preferência é pelo próprio endereço. "É mais confortável e mais gostoso", afirma.

SESC PICASSO

O bolso também fica satisfeito. Num sábado, entrar no Inner Club, uma das casas de swing mais badaladas da capital, custa R$ 285 por casal. Em 2023, eram R$ 215 --o que daria cerca de R$ 235, em valores corrigidos pela inflação do período. Outros estabelecimentos acompanharam o aumento. Proprietários dizem ser um ajuste natural, enquanto os usuários culpam o aumento da demanda.

Nessas condições mercadológicas, não dá para ir sempre, diz Gabriela. Então, visando manter a agenda ativa sem sair de casa, ela recorre ao Sexlog, rede social voltada ao troca-troca entre casais.

Abrir o site é como visitar um universo paralelo, relata a mulher. "Sempre têm pessoas próximas, aquelas que você encontra na rua todos os dias e nem imagina."

Pelos números, a tendência é encontrar cada vez mais rostos familiares por lá. Só na região Sudeste, o Sexlog recebeu 836 mil novos usuários em 2024, 10% a mais do que no ano anterior. O crescimento é puxado pelo interior. A cidade de Parisi, a 533 km da capital e com 3.001 habitantes, teve aumento de 1.400% nos cadastros.

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Para Mayumi Sato, diretora da plataforma, o sucesso está em oferecer a possibilidade de as pessoas realizarem o fetiche onde quiserem. Ela considera que o preço não é o único entrave das casas de swing.

Mayumi diz que os empreendimentos pararam no tempo, mantendo tradições e formalidades incompatíveis com a sociedade atual --por exemplo, rechaçando casais LGBTQIA+. "Acho que isso está mudando, mas é pouco a pouco."

O casal Marina Rotty e Marcio Wolf, 46, avalia que a prática passou por uma revolução.

Em 2011, a dupla falava sobre swing num blog. Eram dos poucos mostrando os rostos para isso. De lá para cá, ganharam muitos colegas de divulgação, observaram a popularização da prática e tabus serem desconstruídos, dizem. Citam como exemplos o mito de que os membros da comunidade fazem sexo com qualquer um --o que, garantem, não é como a prática funciona.

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Sabendo melhor como tudo acontece, as pessoas estão mais abertas a experimentar o fetiche, analisa Marina, que é sexóloga.

Ela mesma, por falta de conhecimento, teve receio no início. O casal era evangélico quando deu os primeiros passos no meio liberal. Hoje, até mesmo os filhos sabem da trilha seguida por eles.

Isso não é unanimidade. Há adeptos contrários à exposição, que preferem evitar as casas de swing e fazer a prática nas residências. Sempre houve esses indivíduos, diz Marcio, analista e coach sexual. "Assim, também sempre existiu a troca de casais em festas mais privadas ou ambientes mais controlados".

O que mudou nos últimos anos, opina, é a facilidade para se conectar e organizar esses eventos com mais agilidade, a qualquer hora e em qualquer lugar.

Para o casal, isso é positivo. "O swing não é uma coisa para ficar presa a um grupo específico de pessoas. É para todos," diz Marina. "Ele também não está limitado a um endereço. Você pode fazer onde quiser, desde que não seja contra a lei."

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