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SP: Tarcísio fala em deslocar policiamento do centro para bairros com mais furtos e roubos

Estadão Conteúdo 05/02/2026 12:22

O crescimento de furtos e roubos em bairros mais distantes do centro leva o governo de São Paulo a mudar a estratégia de policiamento da capital, hoje muito focada na região central. Nesta quarta-feira, 4, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que o efetivo de policiamento ostensivo será deslocado para os bairros onde houver aumento de criminalidade.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Tarcísio diz que isso se tornou possível após o desmantelamento da Cracolândia, local de concentração de usuários de drogas, no centro. O governador anunciou também uma parceria com a prefeitura de São Paulo para ampliar o Smart Sampa, programa que usa câmeras com recursos de reconhecimento facial e de placas de veículos. A reportagem entrou em contato com a prefeitura e aguarda retorno.

Em janeiro deste ano, uma sequência de assaltos a pedestres em ruas movimentadas do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, assustou os moradores. Na terça-feira, 3, um assalto a uma residência no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo, terminou em perseguição e troca de tiros entre assaltantes e policiais na avenida Faria Lima. Ao menos quatro suspeitos foram baleados e um morreu em plena avenida.

SESC PICASSO

Tarcísio não se referiu a um bairro específico. "A gente tem observar os indicadores e estar sempre olhando essa questão da mancha criminal. Lá atrás a gente tinha uma necessidade de combater a questão da Cracolândia, combater o tráfico de drogas no centro, criamos várias unidades de policiamento lá." Agora, segundo ele, é o momento de olhar para outras regiões. "Como a gente tem de olhar as outras áreas? O crime cresceu aqui, então vamos deslocar efetivo."

O bairro de Capão Redondo, na zona sul da capital, registrou pelo segundo ano consecutivo o maior número de assaltos em 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). Apesar disso, houve queda no número de ocorrências em comparação com 2024. Campo Limpo, também na zona sul, ficou em segundo lugar, embora tenha igualmente registrado queda nos números.

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Segundo Tarcísio, desde o início de sua gestão, os índices de criminalidade no centro caíram quase 60%, mas o crime é dinâmico. "A gente precisa olhar onde o crime está. Agora, a gente vai olhar para as outras áreas."

Conforme a SSP, os roubos e furtos a residências caíram em toda a cidade de São Paulo. No último ano, aconteceram 4,2 mil crimes ante 5,4 mil entre janeiro e dezembro de 2024.

O governador disse que, apesar da mudança no policiamento, o centro não vai ficar sem segurança. Ele minimizou o risco de eventual recrudescimento da Cracolândia com a estratégia de remanejar o efetivo policial que atua no centro. "A gente conseguiu estabelecer unidades lá e combater a grande chaga (Cracolândia). Não vamos descobrir um santo para cobrir outro", diz.

Programa Smart Sampa

Tarcísio disse que o governo está trabalhando com a Prefeitura de São Paulo para ampliar o Smart Sampa. O programa, implantado na gestão de Ricardo Nunes (MDB), é o maior sistema de monitoramento virtual da América Latina.

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Segundo o governador, o governo de São Paulo deve entrar no cofinanciamento do Smart Sampa, ampliando o monitoramento. "A gente entende que só a ampliação do efetivo não vai bastar, a gente vai precisar investir também em tecnologia."

Essa ampliação "é pra já", segundo o governador. "Vamos ter um quartel general integrado, prefeitura e Estado, para que a gente possa compartilhar com mais velocidade as informações e, obviamente, deslocar efetivo de policiamento ostensivo para a região onde tiver aumento de criminalidade."

O governador falou também sobre o reassentamento da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, projeto de reurbanização da última favela do centro, entre os bairros Campos Elíseos e Bom Retiro. O local servia de abrigo para traficantes de drogas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo Tarcísio, 858 famílias já foram realocadas e teve início a demolição das estruturas. "O Moinho vai muito bem. Entendo que (o projeto) tem uma importância muito grande nesse contexto de violência pública", diz.

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