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Sociedade civil pede novos caminhos de financiamento climático ao G20

FolhaPress 28/02/2024 19:29

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Encontrar formas de alavancar a transição energética nos países em desenvolvimento, elaborar mecanismos para pagamento por serviços prestados pela natureza e garantir que uma reforma do sistema financeiro leve em consideração aspectos sociais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Estes foram alguns dos principais temas levantados por entidades da sociedade civil que se reuniram no Fórum Brasileiro de Finanças Climáticas nesta segunda (26) e terça (27) em São Paulo.

O evento, que trouxe debates em torno de como arcar com os custos de medidas de mitigação de emissões de carbono e adaptação climática, faz parte da agenda oficial do G20 Social e antecedeu o encontro de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do grupo, iniciado nesta quarta-feira (28) também na capital paulista.

Especialmente neste ano, o resultado do G20 pode influenciar as negociações da conferência do clima da ONU, que acontece em novembro, em Baku, no Azerbaijão. Isso porque a COP29 definirá um novo valor a ser destinado pelos países ricos ao financiamento climático em nações em desenvolvimento.

O tema é delicado, se arrasta há anos e podem sobrar arestas a serem aparadas no ano seguinte, quando a cúpula climática acontece no Brasil, em Belém.

SESC PICASSO

Criado por sete organizações não governamentais, o Fórum Brasileiro de Finanças Climáticas contou com a presença de membros do governo federal, BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), ONU (Organização das Nações Unidas), empresários, pesquisadores e ativistas brasileiros e estrangeiros.

A ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo Patricia Ellen, presidente do Instituto AYA, afirma que a própria participação mais ativa da sociedade civil é uma demanda apresentada no fórum.

"[Muitas organizações] colocaram a importância da continuidade desse trabalho. Tem trabalho durante o G20 e tem o pós-G20, inclusive com o governo brasileiro e com as organizações internacionais, de manter esse espaço aberto para as organizações e a sociedade civil", diz.

Maria Netto, diretora-executiva do iCS (Instituto Clima e Sociedade), também ressalta que a iniciativa é especialmente importante no contexto do G20. "Muitas vezes esses diálogos do G20 são muito fechados, não permitem a colaboração de observadores", explica, acrescentando que isso pode ser exemplificado pelas discussões sobre a reforma do sistema financeiro internacional que aconteceram durante o encontro.

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"Ok, a gente quer trazer mais recursos para, digamos, alavancar investimento privado para o clima, mas como é que asseguramos que isso também tem impacto social? Como termos um melhor entendimento de como o público e o privado trabalham juntos? Como [fazer com] que essa reforma do sistema financeiro tenha um olhar mais revolucionário?"

O tema é uma das prioridades da presidência brasileira à frente do grupo, que reúne as 19 principais economias do mundo, além da União Europeia e, a partir deste ano, a União Africana.

Outro assunto que se destacou foi a implementação do Plano de Transformação Ecológica, lançado no ano passado pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir desigualdades.

Ainda que a ideia seja mobilizar governos, filantropia, setor privado e atores multilaterais, o plano ainda não foi devidamente sistematizado, com prazos e metas.

"Sabemos que vamos precisar, obviamente, de recursos públicos para alavancar um investimento muito maior do setor privado", afirma Ilona Szabó, presidente do Instituto Igarapé.

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Ela avalia uma presidência brasileira do G20 que seria considerada bem-sucedida também incluiria estruturar regulamentações e colocar ações do plano em prática. "[Sucesso é] ter um plano crível, com pontos de entrada para essa alavancagem de capital, concretamente. E diria que a gente também está botando na pauta a natureza, porque ela não está nos balanços das empresas."

A especialista afirma que é necessário definir uma valoração e remuneração pelos serviços ecossistêmicos -ou seja, os serviços prestados pela natureza conservada, como a polinização.

"Sabemos que mais de 50% do PIB global depende dos serviços ecossistêmicos", afirma. "Você tem que começar a entender que isso tem custo e o que você está fazendo para devolver."

Maria Netto acrescenta que o Brasil pode usar essa oportunidade para buscar consensos em torno de assuntos relevantes para o combate à crise climática.

"O G20 pode sair com um acordo com algumas mensagens importantes em agendas como a transição energética, reconhecimento da importância das soluções baseadas na natureza e de avançar e ter algumas recomendações claras de reforma do sistema financeiro", analisa.

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