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Sírio-Libanês inaugura faculdade de ciências da saúde

FolhaPress 28/11/2023 15:24

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Hospital Sírio-Libanês inaugura nesta terça (28) a sua faculdade de ciências da saúde com um modelo inovador de currículo que prioriza um conjunto de conhecimento e não disciplinas isoladas, laboratórios com tecnologia de ponta e aulas práticas em comunidades com diferentes contextos sociais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com investimentos de R$ 60 milhões, a faculdade vai oferecer cursos nas áreas de enfermagem (mensalidades de R$ 2.460), fisioterapia (R$ 2.270) e psicologia (R$ 3.995), cada um com 50 vagas iniciais. As aulas começam no final de fevereiro de 2024.

A instituição planeja oferecer futuramente curso de medicina, mas não há prazo previsto. Uma portaria do Ministério da Educação restringiu a criação de cursos de medicina no país e levou ao cancelamento de mais de 60 avaliações de cursos na área que estavam em andamento.

Um quinto das vagas dos três cursos de graduação do Sírio está destinado a jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Entre os critérios de seleção estão renda familiar até dois salários mínimos e sempre ter estudado em escola pública ou com bolsa integral em alguma privada.

Metade (10%) das bolsas sociais é bancada pela faculdade e a outra metade por meio de um fundo de bolsas com captação de recursos de doadores.

"Às vezes, só a bolsa de estudo não resolve. Ele precisa ser amparado com alimentação, transporte", diz Denise Jafet, presidente da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, um outro fundo de bolsas será criado com o objetivo de ajudar esses alunos a continuarem estudando.

SESC PICASSO

Instalada em um prédio de 11 andares na Bela Vista, na região da avenida Paulista, em São Paulo, a faculdade tem 14 salas de aula, nove laboratórios, 11 salas para atividades em grupo e uma biblioteca que abriga um acervo inteiramente digital com mais de 10,5 mil títulos. No local, há uma área em que os alunos poderão estudar o corpo humano por meio da realidade virtual.

De acordo com Paulo Nigro, CEO do Hospital Sírio-Libanês, toda a estrutura foi planejada para ofertar uma série de cursos de graduação na área da saúde a médio e longo prazo. Em cinco anos, a previsão que 5.000 alunos estejam circulando pelo local.

"Temos um projeto de expansão. Ensino é uma das nossas verticais de negócios que, agora, a graduação vem reforçar." O Sírio já oferece cursos de pós-graduação, residência médica, mestrado e doutorado há mais de duas décadas em seu centro de ensino e pesquisa.

Fernando Ganem, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, diz que uma das metas dos cursos de graduação é a formação de profissionais mais bem preparados para o mercado de trabalho. "A gente não cria uma faculdade para formar profissionais para o Sírio, mas para melhorar a saúde do país. Profissionais que sejam tecnicamente competentes mas socialmente comprometidos com uma vida plena e justa."

Os alunos terão aulas práticas tanto no Sírio quanto em outros serviços públicos que são geridos pela instituição, como o Hospital Geral do Grajaú (zona sul) e o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na região central da capital.

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"Levar os alunos para as comunidades para que, com suas práticas, mudem indicadores de saúde, faz parte de todo o projeto pedagógico", diz Ganem.

Segundo Luiz Reis, diretor de pesquisas do Sírio, o modelo da faculdade foge do padrão tradicional de ensino em que o docente é o detentor do conhecimento e o aluno um mero ouvinte. "O papel do docente hoje é muito mais ajudar o aluno a aprender do que ensinar. O aluno passa menos tempo em sala de aula e mais tempo praticando para que melhore o conhecimento."

O currículo, explica Reis, é integrado e orientado por competências, e não por disciplinas. Por exemplo: em vez de estudar o sistema muscoesquelético, o aluno vai aprender sobre o movimento.

"Para que o movimento aconteça eu preciso da junção de três funções: que o osso, os ligamentos e o músculo funcionem. O aluno estuda isso de forma integrada. Tanto em situações normais como em situação críticas, como um trauma de medula", diz.

Desde o primeiro ano, os estudantes terão aulas em centros de simulação. Há um centro clínico hiperrealístico que simula, por exemplo, uma enfermaria real. É ali que os alunos vão aprender uma série de procedimentos, desde a aferição da pressão arterial até uma intubação ou punção lombar.

Esses espaços contam com bonecos-robôs que simulam sinais vitais, como respiração e batimentos cardíacos. A proposta é que o aluno seja capacitado para tomar decisões rápidas em situações emergenciais. "Eu posso programar o boneco para que, durante uma prática, ele tenha uma parada cardíaca", afirma Reis.

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Os centros de simulação são adaptáveis às necessidades de cada curso. Por exemplo, em uma aula sobre comunicação difícil, um aluno de psicologia poderá ser exposto a uma situação em que uma mãe desmaia ao saber que o filho tem um câncer avançado. No caso, mãe e filho representados por atores.

"É diferente de o aluno estar sentado e o professor dizendo: 'em uma situação difícil, é importante que você faça isso ou aquilo'. Você traz o conceito para dentro da prática", afirma Reis.

O estudante também terá a oportunidade de personalizar a sua jornada acadêmica com temas atuais. Entre eles, conhecimentos sobre cirurgia robótica, mindfullness e cuidados paliativos, que passam a fazer parte da grade curricular da graduação.

Assuntos que conversam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como direitos reprodutivos, determinantes sociais e ambientais da saúde e da doença, violências e seus efeitos, entre outros, também estão na programação.

A faculdade conta ainda com um hub de carreiras por meio do qual o aluno receberá informações sobre oportunidades profissionais, cursos internacionais e ideias de novos negócios.

Para Paulo Nigro, o maior diferencial da faculdade é a possibilidade de fazer a interação entre um ensino de qualidade, que utiliza conceitos modernos e atualizados, com todo o arsenal de excelência e filantropia que a instituição Sírio-Libanês aporta.

"Nosso maior desafio é formar cidadão, além de um bom profissional. O nosso segundo desafio foi montar um projeto pedagógico que estimule o desenvolvimento do cidadão", afirma Fernando Ganem.

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