Campanha chama atenção para sinais e sintomas
A partir desta segunda-feira (1º), ganha força em todo o país a campanha Setembro Dourado, que destaca a importância da identificação precoce do câncer infantojuvenil. O movimento busca conscientizar famílias, educadores e profissionais de saúde sobre os sinais que o corpo pode emitir e que muitas vezes passam despercebidos.
De acordo com especialistas, quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de cura, podendo chegar a até 70%. O alerta se torna essencial diante do cenário brasileiro, em que o câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos.
Espírito Santo registra taxa de mortalidade acima da média nacional
O presidente da Acacci (Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil), Francisco Carlos Gava, ressalta que a campanha é voltada não apenas para pais e responsáveis, mas também para toda a rede de apoio.
“O alerta também se estende a familiares e profissionais da educação, que podem desempenhar um papel importante na identificação precoce da doença”, afirma.
No Espírito Santo, os índices preocupam. A taxa de mortalidade infantil e juvenil por câncer chega a 46,9 óbitos por milhão, acima da média nacional, que é de 42,6. Os dados são do Panorama da Oncologia Pediátrica, elaborado pelo Instituto Desiderata. A interrupção ou falta de tratamento ainda figura entre os principais desafios no enfrentamento à doença.
| Região | Taxa de óbitos por milhão (1 a 19 anos) |
|---|---|
| Espírito Santo | 46,9 |
| Média nacional | 42,6 |
Estrutura de apoio oferecida pela Acacci
Com 37 anos de atuação, a Acacci se consolidou como referência no acolhimento de crianças e adolescentes em tratamento oncológico e suas famílias. A instituição oferece hospedagem, alimentação, transporte para hospitais, acompanhamento psicossocial, além de atividades artísticas, pedagógicas e recreativas.
Esse suporte integral busca não apenas garantir melhores condições para o tratamento, mas também proporcionar qualidade de vida e minimizar os impactos emocionais e sociais enfrentados durante o processo.
História de Miguel: diagnóstico após dores no joelho
[caption id="attachment_104178" align="alignleft" width="300"]
Maycoln Santos e o filho Miguel[/caption]
Entre os casos recentes está o de Miguel, de 15 anos, diagnosticado neste ano com osteossarcoma, um tumor ósseo agressivo. A família, moradora de Governador Valadares, encontrou apoio na Acacci para enfrentar o tratamento.
“Miguel estava disputando um campeonato de futebol em Manhuaçu quando sentiu dores no joelho. A equipe o retirou do jogo e colocou gelo. No dia seguinte, ele voltou a jogar, mas as dores continuaram. Procuramos atendimento médico na unidade de saúde e fizemos raio-x e ressonância em novembro do ano passado. Em dezembro, por causa do recesso, não havia médico no hospital, e só conseguimos vaga com o ortopedista em janeiro”, relata a mãe, Irislene Carvalho Bazoni.
Ela e o marido, Maycoln Jonatan Gomes Santos, acreditavam que fosse apenas uma lesão. “Achávamos que era apenas uma luxação ou rompimento de ligamentos. Mas, após indicação e ao procurar um oncologista em Vitória, recebemos o diagnóstico de um câncer maligno agressivo”, conta Irislene.
O choque inicial deu lugar à resiliência. “Nós ficamos muito abalados. Mas, com o tempo, ao conviver com outras crianças e famílias com o mesmo problema, vamos nos fortalecendo. O tratamento é fundamental. Estamos na luta para que a vitória chegue o mais rápido possível”, finaliza.