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Sete anos depois, tragédia de Brumadinho chega à Justiça

Vitória News 27/01/2026 02:43
Sete anos depois, tragédia de Brumadinho chega à Justiça

Após sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a tragédia que resultou na morte de 272 pessoas começa a ser examinada pela Justiça criminal. As audiências de instrução estão previstas para iniciar em 23 de fevereiro, na 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O rompimento ocorreu em 25 de janeiro de 2019, por volta das 12h30. Passados 2.557 dias desde o desastre, nenhuma pessoa havia sido responsabilizada criminalmente até o momento. Com a abertura da fase de instrução, 15 pessoas poderão responder judicialmente pelo caso.

Entre os réus estão 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da mineradora Vale e quatro funcionários da empresa TÜV SÜD, responsável por monitorar e atestar a estabilidade da barragem. As audiências devem se estender até maio de 2027, com oitiva de vítimas não letais, testemunhas e acusados. Ao final, caberá à juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima decidir sobre o encaminhamento do processo para júri popular.

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A lembrança do dia do rompimento permanece viva para familiares das vítimas. Nayara Porto relatou que estava em casa quando soube do acidente. O marido, Everton Lopes Ferreira, trabalhava no local atingido pela lama de rejeitos.

“Eu fiquei um pouco sem entender. Depois ela me chamou e perguntou se meu marido estava em casa. Eu falei que não estava, estava trabalhando, aí ela foi e me contou o que tinha acontecido”, relatou Nayara. Segundo ela, a tentativa de contato foi frustrada desde os primeiros momentos. “Comecei a tentar falar com ele várias vezes, mas o telefone nem chamava mais”, disse.

Nayara contou ainda que conseguiu falar com um colega do marido que conseguiu escapar da lama. “Ele falou comigo assim: ‘ora, pede a Deus’. O armazém onde meu marido trabalhava foi embora, não havia mais nada lá”, afirmou.

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Para a jornalista Cristina Serra, autora do livro Tragédia em Mariana: a história do maior desastre ambiental do Brasil, o caso de Brumadinho se insere em uma sequência de episódios graves ligados à mineração no país. Ela cita também o rompimento da barragem de Mariana, em 2015, e o afundamento do solo em Maceió, associado à exploração de sal-gema.

Segundo a jornalista, nos três casos não houve punição criminal até o momento. “São incidentes relacionados a empresas de mineração que operam com muita irresponsabilidade, sem levar em conta aspectos essenciais da segurança”, afirmou. Para ela, a busca por maior margem de lucro contribui para a redução de investimentos em segurança operacional.

Cristina Serra também apontou falhas na atuação do poder público. “Os órgãos de fiscalização, tanto estaduais quanto federais, não vão in loco ver o que está acontecendo. Os processos de licenciamento e fiscalização acabam sendo burocráticos, baseados em documentos enviados pelas próprias empresas”, disse.

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Procurada, a Vale informou que não comenta processos judiciais em andamento, mas destacou ações de reparação em Brumadinho. A empresa afirmou que, até dezembro de 2025, executou economicamente 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral, incluindo medidas de recuperação socioambiental, garantia de abastecimento hídrico e iniciativas de diversificação econômica. A mineradora informou ainda que realiza investimentos contínuos na segurança de suas barragens.

A Samarco, responsável pela barragem que se rompeu em Mariana em 2015, declarou que mantém solidariedade às pessoas e comunidades impactadas. Segundo a empresa, com a assinatura do Novo Acordo do Rio Doce, em 2024, passou a assumir diretamente as ações de reparação e compensação. A empresa afirma cumprir integralmente o acordo e manter o compromisso com a reparação definitiva.

Neste domingo, às 11h, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum) promove um ato em memória das 272 vítimas. A homenagem será realizada no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade.

Fonte: ABr

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