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Série lembra a história do Secos e Molhados, ícone da MPB que acabou no auge

FolhaPress 28/10/2025 15:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fortíssimo candidato a fenômeno mais intenso da música brasileira, em 1973 e 1974 o Secos e Molhados trouxe um visual de maquiagem e roupas estranhas, versos belos e divertidos, em canções que não eram rock nem MPB, e conquistou o país em poucos meses.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No auge do sucesso, quando se preparava para uma turnê internacional depois de lançar o segundo álbum, a banda acabou por desavenças entre o guitarrista João Ricardo, principal compositor do grupo, e os outros dois membros: Ney Matogrosso, voz singular que despontava para ser uma estrela, e o guitarrista Gérson Conrad.

A conquista rápida de popularidade, batendo as vendagens de discos de Roberto Carlos, e o rompimento prematuro estão relatados na biografia escrita pelo jornalista Miguel de Almeida, publicada pela Record. Agora, ele dirige "Primavera nos Dentes: A História do Secos & Molhados", minissérie documental baseada no livro que tem pré-estreia nesta quarta (29), na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e, a partir de sexta (31), às 21h30, será exibida em episódios semanais no Canal Brasil.

O que chama a atenção, logo no primeiro dos quatro episódios, é a ideia de intercalar depoimentos dos envolvidos no furacão Secos e Molhados, principalmente Ney e Conrad, com imagens do Brasil da época -o presidente Emilio Garrastazu Médici, exposições do Exército, congestionamentos de Fuscas, mulheres de minissaia, trechos da montagem teatral de "O Rei da Vela".

SESC PICASSO

"Desde o começo eu quis que o Secos e Molhados servisse para mostrar um momento da história, a situação política que a gente vivia. Um país que estava se urbanizando, principalmente nas metrópoles de São Paulo e Rio", conta Miguel de Almeida. "O Secos e Molhados nasce nesse momento de uma coisa cosmopolita, de uma internacionalização. Eles superam a discussão de uma identidade brasileira, que vinha das décadas anteriores. Eles são quase alienígenas, porque não têm relação com esse tipo de agenda."

O grupo risca a questão territorial. João Ricardo é português. Ney veio do Centro-Oeste. Conrad morava em São Paulo. Entre os músicos que completavam o time em gravações e shows, o baixista Willy Verdaguer é argentino. Este último, ao lado do tecladista Emilio Carrera, foi fundamental na criação da assinatura sonora do grupo e têm destaque na série, com depoimentos e a criação de uma trilha sonora instrumental.

CONTADOR - BONUS

João Ricardo não tem mais contato com os colegas da formação que vendeu mais de um milhão de discos. Além de não participar da série, ele proibiu a inclusão das canções que ele escreveu, muitas com letras de seu pai, o poeta João Apolinário. Com o sucesso financeiro da banda, pai e filho quiseram tomar as rédeas do Secos e Molhados, transformando Ney e Conrad em "músicos contratados", e o trio acabou.

Os depoimentos dos dois guiam a minissérie, ao lado de opiniões de nomes de outras gerações como Charles Gavin, Frejat e Ana Cañas. A única canção dos dois álbuns do grupo apresentada é "Rosa de Hiroshima", melodia belíssima e um grande hit, liberada por ser um poema de Vinicius de Moraes musicado por Conrad.

Para Almeida, Verdaguer e Carrera são essenciais. "Eu ouvi pessoas que assistiram o Secos e Molhados antes que esses músicos argentinos entrassem para o grupo, e a diferença é muito grande. João e Gérson não eram músicos experientes, eram jovens que tocavam para quebrar o galho. Mas Willy e Emilio tocavam em shows e peças de teatro, acompanharam Caetano Veloso em 'Alegria, Alegria'. Não tinham só experiência, mas apuro técnico."

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Miguel de Almeida diz que queria ver a série como um terceiro álbum do Secos e Molhados, e uma ideia veio para complementar as vinhetas instrumentais de Verdaguer e Carrera. Paulo Mendonça, amigo e quase um membro "não oficial" do grupo, que fez a letra de "Sangue Latino", já colocou versos em três ou quatro delas. E fez, em dois dias, a letra para uma música inédita de Conrad.

Assim nasceu "Ouvindo o Silêncio", que é gravada com Ney no vocal, em um making of e clipe, que encerra a série. "Poxa, nós tínhamos ali dois dos compositores do grupo, Paulo Mendonça e Gérson Conrad. Por que então não escrever uma música nova para o Ney cantar?", diz Almeida. "De certa forma, é o terceiro disco da banda", afirma o diretor.

PRIMAVERA NOS DENTES: A HISTÓRIA DOS SECOS & MOLHADOS

Quando A partir de sex. (31)

Onde Canal Brasil, às sextas, às 21h30, com reprise sábado, às 17h, e domingo, às 19h

Produção Brasil, 2025

Direção Miguel de Almeida

PRIMAVERA NOS DENTES: A HISTÓRIA DOS SECOS & MOLHADOS

Quando Dia 29 (qua.), às 19h10

Onde Cinemateca Brasileira - largo Sen. Raul Cardoso, 207, São Paulo

Preço R$ 26

Link https://mostra.org/filmes/primavera-nos-dentes

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