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Sequestrador de ônibus no RJ exigiu presença da imprensa para se entregar, dizem reféns

FolhaPress 15/03/2024 10:05

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O homem responsável por sequestrar um ônibus na Rodoviária do Rio de Janeiro na terça-feira (12) teria afirmado que portava uma granada e exigido a presença de jornalistas para se entregar, de acordo com os depoimentos dos reféns que estavam no veículo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Paulo Sergio de Lima, 29, foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma e sequestro. Ele manteve 16 reféns por cerca de três horas dentro do ônibus.

Nesta quinta (14), Lima passou por uma audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.

Além disso, o juiz Pedro Ivo Martins Caruso D'ippolito acolheu pedido das advogadas Bruna Pereira Velloso e Aline Amorim Fonseca, que passaram a representar o preso, e determinou que ele seja levado para um presídio sem influência de facções criminosas.

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De acordo com os depoimentos, Lima sequestrou o ônibus depois de brigar com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. Com medo de represálias dos traficantes, ele comprou uma passagem e pretendia ir para Juiz de Fora (MG), onde mora sua mãe.

Quando estava no ônibus na rodoviária, porém, confundiu um grupo de passageiros com policiais, e atirou contra eles. Um deles, Bruno Lima da Costa Soares, foi atingido por três tiros e está em estado grave. Uma outra pessoa foi ferida por estilhaços.

Após os disparos, Lima teria decidido sequestrar o veículo.

Durante a sessão desta quinta, o juiz afirmou que Lima "apresentou, durante esta audiência, um comportamento agressivo e desrespeitoso em relação aos policiais penais que o apresentaram". O magistrado acrescentou que os agentes não reagiram.

No total, 16 pessoas prestaram depoimento e contaram sobre o que aconteceu dentro do ônibus.

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As testemunhas contaram que, após Lima atirar contra Soares, que estava próximo à escada do ônibus, os passageiros correram para os fundos do veículo e ficaram deitados. Entre eles, uma criança que viajava com a família para Juiz de Fora.

Lima, então, pegou uma mulher de 39 anos e passou a gritar que queria a presença de jornalistas. Segundo o depoimento dela, foi nesse momento que ele afirmou estar com com uma granada e ameaçou acioná-la.

Depois, pediu para ela ligar para o marido por vídeo, mas a chamada não completou. Quando viu a aproximação dos policiais, Lima teria feito disparos. Na sequência, passou a falar com os agentes por intermédio do celular dessa refém.

Ele então disse aos policiais que queria a presença da imprensa, segundo o depoimento. Ao ver que o sequestro tinha cobertura midiática, disse que iria se entregar.

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Nesse momento, ainda de acordo com o relato da refém de 39 anos, ele exigiu que ela descesse na frente dele, e o protegesse com as próprias mãos. Ela, então, colocou uma mão sob o peito de Lima, outra na cabeça. Ao descerem, ele deitou no chão e entregou a arma a um sargento do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), que atuava como negociador.

No relato desse policial na delegacia, Lima teria dito que policiais civis estavam no ônibus e temia que fosse entregue ao Comando Vermelho, pois tinha trocado tiros com integrantes da facção dias antes.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com as advogadas de Lima. A jornalistas, ao sair da delegacia, ele disse: "Minha tarde foi interrompida pelos policiais. Me atrapalharam os policiais. Quatro civis disfarçados atrapalharam a minha viagem".

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