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Sem Trump, EUA têm delegação informal na COP30 com ex-gestão Obama e governadora

FolhaPress 10/11/2025 15:32

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Sem o presidente Donald Trump ou outros representantes oficiais do governo, os Estados Unidos contarão com uma espécie de delegação informal na COP30 (conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A lista de participantes que confirmaram presença inclui a democrata Michelle Lujan Grisham, governadora do Novo México, e o ex-enviado especial para o clima Todd Stern, que chefiou a equipe americana nas negociações do Acordo de Paris durante a gestão de Barack Obama (2009-2017).

Além disso, esteve presente no encontro de líderes locais da COP30 no Rio Gina McCarthy, que dirigiu a Agência de Proteção Ambiental dos EUA durante o governo Obama e foi conselheira ambiental da Casa Branca na gestão de Joe Biden (2021-2025).

O grupo faz parte da coalizão America Is All In, que reúne mais de 20 estados americanos, além de centenas de cidades e empresas, que mantêm compromissos de redução de emissões equivalentes aos do Acordo de Paris. Eles pretendem representar o país nas negociações climáticas mesmo sem o apoio do governo federal.

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Stern afirma que é preciso separar na discussão a administração Trump do restante do país. "Os países ficaram decepcionados quando os EUA se retiraram [do Acordo de Paris], mas sabem distinguir o governo federal da nação. Os estados e cidades continuarão a participar [dos debates]", disse Stern.

Segundo Grisham, essas jurisdições continuam no caminho para cumprir as metas de 2025. "Mostramos que a liderança local pode sustentar o que o governo central abandona", afirmou.

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Trump já havia anunciado a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris em 2017, durante seu primeiro mandato —movimento revertido em 2021 por Biden, no primeiro dia de governo. O republicano voltou a sinalizar que pretende retirar o país novamente do pacto climático, o que seria concretizado no ano que vem.

Os integrantes da America Is All In minimizaram o risco de interferência do novo governo nas negociações da COP30. "Não há muito que possam fazer para atrapalhar", disse Stern.

O grupo também destacou a recepção positiva que estão tendo e disseram manter diálogo direto com a Secretaria da Convenção do Clima da ONU. "Continuaremos compartilhando nossos resultados com a ONU. É evidência inequívoca de que estamos fazendo o que dissemos que faríamos", declarou Grisham.

Delegações paralelas como a America Is All In não têm caráter oficial, mas costumam ser reconhecidas nas conferências da ONU como representantes da sociedade americana.

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A ausência dos Estados Unidos na COP30 é vista como um baque para os debates climáticos pela importância do país nas emissões e pelo potencial de recursos que poderia mobilizar para planos de mitigação ou outras iniciativas.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou na abertura da cúpula de líderes na quinta (6) a ausência de Trump no evento e o que chamou de comportamento negacionista do americano em relação à ciência. "Está 100% errado o presidente Trump", disse. "[E] aqueles que estão investindo em mais armas na Europa estão cometendo um erro. Não é a Rússia o inimigo, é a crise climática", afirmou.

"Estamos perto do colapso climático, o que significa o ponto de não retorno. Em outras palavras, morte geral da existência no planeta. Literalmente, um apocalipse", disse Petro. "A sociedade está desviando a atenção e indo em direção ao abismo."

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