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Sem recuperação, Cantareira segue com restrição de abastecimento em dezembro

FolhaPress 02/12/2025 10:49

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem reversão na tendência de queda no volume em novembro, o sistema Cantareira vai continuar a operar na segunda faixa mais crítica de abastecimento durante dezembro. Dados mostram que o sistema tinha 20,8% de volume armazenado nesta segunda-feira (1º).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O indicador está no limite da chamada faixa de restrição, que estabelece volume entre 20% e 30% e permite a retirada de 23 mil litros de água por segundo. Abaixo dela está a faixa especial, que limita essa redução a 15,5 mil litros por segundo.

Em novembro, o volume de chuva na área dos reservatórios responsáveis por abastecer a região metropolitana de São Paulo ficou abaixo da média, e o governo estadual tem acelerado medidas para enfrentar os próximos meses.

Além disso, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), com 25,7% de sua capacidade, também segue operando com restrições e medidas como a redução da pressão de água por dez horas, segundo modelo anunciado no fim de outubro pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo).

SESC PICASSO

No Cantareira, a retirada de água é organizada em cinco faixas, da menos à mais grave, por meio de uma resolução conjunta entre a Ana (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e o antigo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), atual SP Águas. A partir da faixa 2 (quando o volume armazenado é igual ou maior que 40% e menor que 60%) é permitido à Sabesp usar água do reservatório de Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul.

Segundo a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), Natália Resende, o cenário atual tem seguido a modelagem do governo para monitorar a situação, na chamada curva de contingência.

A chuva no Cantareira, diz afirma, registrou 108 milímetros em novembro, ante uma média de 150 milímetros. Para enfrentar a escassez, considerada crônica pela alta demanda da população na região metropolitana, o governo tem anunciado diferentes medidas.

Uma delas foi a entrega antecipada da captação no rio Itapanhaú, na Serra do Mar, que adiciona 2.500 litros de água por segundo ao sistema Alto Tietê (17% de incremento) por meio de oito bombas.

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A obra de R$ 300 milhões estava prevista para terminar no ano que vem, foi entregue antes e funciona atualmente por meio de geradores até a conclusão das linhas de energia. Outras iniciativas, diz Natália, estão em andamento para adicionar mais água ao sistema, como a expansão da Estação de Tratamento de Água Rio Grande, com 400 litros por segundo.

Também estão previstas outras obras, como a interligação Billings-Taiaçupeba, com conclusão prevista para 2027 —que também deve ser antecipada— e acréscimo de 4.000 litros por segundo de água, a um custo de R$ 530 milhões.

O governo também aponta economia de 44,3 bilhões de litros de água por meio da redução de pressão no abastecimento durante a noite. O volume considera o período de 28 de agosto a 23 de novembro e poderia abastecer por um mês, segundo cálculo da administração, 7,8 milhões de pessoas.

Por outro lado, a secretária diz que a gestão tem investido em campanhas de conscientização sobre consumo. "É preciso racionalizar, é preciso fazer esse uso racional de recursos hídricos, ter um consumo olhando a hora de escovar dentes e fechar torneira, de tomar banhos mais curtos."

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Para Eduardo Caetano, coordenador de conhecimento do Instituto Água e Saneamento, caso o nível do Cantareira fique abaixo de 20% perto do fim de dezembro, é possível que a população passe a sentir mais efeitos da restrição no abastecimento. "Lembrando que a gente já está sob medidas drásticas de uma redução de demanda noturna de 10 horas."

A avaliação de Caetano é que, com as chuvas, o sistema pode recuperar o nível e talvez não seja preciso adotar medidas mais severas, embora isso também não esteja garantido. Na área do sistema metropolitano, de acordo com o governo, novembro teve acumulado de 82,7 milímetros, abaixo de 2021, um dos anos de referência para a crise, de 98,8 milímetros, e abaixo da média histórica para o mês, de 142,6 milímetros.

O especialista também defende mais transparência em relação aos números, especialmente para discriminar o que o governo anuncia com a redução de pressão do que efetivamente foi reduzido de consumo da população, e que ainda não é possível avaliar a efetividade dessas medidas.

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