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Sem esperança, paulistano revive pesadelo e usa estratégias que aprendeu em outros apagões

FolhaPress 12/10/2024 13:16

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O professor de inglês e tradutor Alberto Gomides, 32, teve que correr para um McDonald's do bairro da Liberdade, no centro de São Paulo, para carregar seu celular.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ele dava uma aula online da sua casa, na Aclimação, quando a tempestade atingiu a região metropolitana de São Paulo, por volta das 19h30 da sexta-feira (11). Desde então, está sem energia. Segundo a Enel, 1,6 milhão de clientes seguem sem luz 14 horas após o temporal.

"Achei que ia voltar rápido, mas quando acordei, não tinha luz. Fui subindo a Liberdade para ver se tinha algum ponto comercial aberto para carregar meu celular e estava tudo apagado, incluindo uma padaria que costumo ir. Só tinha energia a partir da rua Galvão Bueno."

Essa não é a primeira vez que isso acontece. De outras vezes, chegou a ficar um fim de semana inteiro sem energia. Diz estar acostumado e sem esperanças de que a energia volte tão cedo na sua casa. "Tenho um texto para entregar na segunda e vou ter que ficar na casa de algum amigo para entregar.

No caso de Rafaela Maurer, moradora de Pinheiros, na zona oeste, a falta de energia durante 15 horas afetou profundamente a rotina com seu filho recém-nascido. O bebê acabou de ir para casa após três meses internado na UTI.

"Ele ainda está se adaptando à nossa casa e quase não dorme durante a noite, então eu e meu marido precisamos ficar nos revezando na madrugada. Sem luz foi preciso fazer toda uma adaptação com lanternas e velas", conta.

SESC PICASSO

No apagão do ano passado, o casal ficou dias sem energia e perdeu tudo que tinham na geladeira.

Como estratégia desta vez, optaram por não abrir a geladeira de início. "Ficamos com medo de acelerar o processo de aquecimento das comidas e a gente perder o que tínhamos armazenado para a primeira semana do bebê em casa."

No Campo Limpo, na região da rua Yoshimara Minamoto, a luz voltou na madrugada, por volta das 4h. A rua da zona sul em que a cozinheira Laís Carvalho, 25, mora, no entanto, ficou destruída. Uma árvore caiu em cima da sua casa.

CONTADOR - BONUS

Ela comemora o fato de que, desta vez, não teve prejuízos. Não foi o caso na época do apagão do ano passado. "Passei dois dias sem luz. Desde então, minha geladeira está funcionando mal. Perdi alguns alimentos também."

SEM PRAZO

Em entrevista coletiva, a Enel se esquivou de dar um prazo para o religamento da energia em todos os locais. Há moradores de São Paulo há mais de 13 horas sem luz. "Eu não quero passar uma previsão para vocês sobre a qual eu não tenho evidência real de que vamos conseguir atender", disse o presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre.

"A meta é reestabelecer todos os clientes o mais rápido possível, mas temos que trabalhar com as informações que temos, e ainda temos muitas informações chegando", afirmou.

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