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Sem cumprir cota de ônibus elétricos, Nunes defende que veículos antigos circulem por mais tempo

FolhaPress 23/01/2025 18:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou nesta quinta-feira (23) que a prefeitura de São Paulo projeta colocar em circulação 600 novos ônibus elétricos em 2025, quase triplicando a atual frota, de 328 veículos em operação. Mas o número passa longe dos 3.400 ônibus veículos que deveriam ser substituídos até o fim do ano, por atingirem a idade máxima permitida em lei municipal, de dez anos de uso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ao apresentar uma frota de 100 novos veículos elétricos, no Anhembi, nesta manhã, Nunes defendeu medida tomada por sua gestão no fim de 2024: permitindo a operação na cidade, neste ano, de veículos de ano/modelo 2012, 2013 e 2014. De até 13 anos, portanto.

"A gente entendeu que é melhor para a equação financeira e principalmente para o meio ambiente, para os motoristas, para os passageiros, que a gente pudesse ter o ônibus até com 11, 12 anos, porque não é algo fora do padrão, a média do Brasil é 15 anos, ficar um pouco mais de tempo, mas que ele substituísse esse ônibus com o ônibus elétrico. É melhor ter um ônibus com um ou dois anos a mais sendo utilizado, mas na sua substituição, vir com um ônibus elétrico com uma maior qualidade", disse o prefeito.

SESC PICASSO

Na semana passada, Nunes vetou a possibilidade de as empresas de ônibus renovarem suas frotas com até metade dos veículos movidos a combustível fóssil. A alternativa fazia parte de uma lei do ex-vereador Milton Leite (União), aprovada pela Câmara Municipal no último dia 18 de dezembro e sancionada, com o veto, na última quinta-feira.

Desde outubro de 2022 está em vigor medida da SPTrans (estatal que administra o transporte público municipal na cidade) determinando que não sejam mais adquiridos veículos movidos a combustão para renovação da frota.

Isso não vem sendo cumprido pelas empresas de ônibus e pela prefeitura, que aponta dois gargalos: a baixa oferta de veículos por parte das montadoras e a falta de infraestrutura para a recarga, o que vem gerando embate entre a administração municipal e a Enel, concessionária de energia.

"A gente chegou em momento que tinha o recurso, mas não tinha ônibus produzido e não tinha condições de abastecimento porque ainda não tinha infraestrutura. A Enel chegou a ter a capacidade de nos cobrar R$ 1,6 bilhão de reais para fazer infraestrutura. Então a gente está discutindo esse assunto com a Enel, trazendo outras alternativas de colocação de abastecimento nos terminais", disse Nunes.

CONTADOR - BONUS

Ilan Cuperstein, da Iniciativa Zebra, composta da C40 Cities e do ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo), e que estimula a eletrificação dos ônibus em grandes cidades do mundo, reconhece dificuldades relativas a prazos de entrega, homologações e adaptações necessárias para a operação dos veículos no contexto urbano.

Ele diz que as mudanças na rede elétrica são um desafio para a cidade: "Uma alternativa em avaliação por diversas cidades no Brasil e já realizada em Salvador, por exemplo, é a implementação de eletroterminais em locais estratégicos para facilitar a recarga das frotas, além de buscar distribuir a demanda energética em outros pontos da cidade."

A prefeitura tem buscado empréstimos para substituir a frota a diesel pela elétrica, o que gera economia a longo prazo. De acordo com Nunes, o ônibus elétrico custa, em média R$ 2,2 milhões, ante R$ 700 mil do carro a diesel. Mas a economia em combustível é de R$ 20 mil por mês, R$ 2,4 milhões em dez anos, por veículo.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Em 2023, BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e Banco Mundial emprestou US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões à época) para subsidiar a compra de 2.600 ônibus elétricos, e no fim de 2024 Nunes assinou empréstimo de R$ 2,5 bilhões junto ao BNDES.

Nunes diz que a prefeitura, porém, não encontra veículos para comprar. "Tudo aquilo que tiver de capacidade da indústria e de infraestrutura a gente tem recurso para adquirir. Então a nossa meta é adquirir tudo aquilo que for colocado à disposição no mercado com relação à fabricação e com relação à capacidade."

Os ônibus apresentados nesta quinta-feira custaram R$ 213 milhões à prefeitura, que subsidiou a compra. Com a incorporação deles, a frota de veículos elétricos da cidade chega a 428 unidades, além de 201 trólebus.

A zona oeste será a mais beneficiada com os novos carros, recebendo 47 novos veículos operados pela Transcap. A Zona Leste também 40 ônibus operados pela Express. A Zona Norte terá 12 novos ônibus operados pela NorteBuss e a Zona Sul receberá um veículo operado pelo Consórcio KBPX. Todos os ônibus possuem ar-condicionado, conexão de internet por Wi-Fi e área para carregar celular por USB.

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