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Segurança pública é ignorada por 15 bancadas estaduais no envio de emendas em 2025

FolhaPress 25/05/2025 08:52

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apesar do discurso de que a segurança pública deve ser tratada como prioridade ecoar frequentemente no Congresso --e da expectativa de que o tema domine as próximas eleições--, quinze bancadas estaduais ignoraram a área na destinação de emendas parlamentares em 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Entre essas bancadas, estão sete dos dez estados mais violentos do país, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2023. São eles: Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Assim como ocorre com as bancadas, nem todos os deputados e senadores destinam recursos de emendas individuais para a área --inclusive entre os membros dos colegiados dedicados ao tema.

Entre os 97 integrantes das Comissões de Segurança Pública da Câmara e do Senado, quase metade (48,5%) não enviaram recursos.

O Congresso indicou R$ 1,06 bilhão em verbas individuais, de bancadas estaduais e das comissões ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2025, deixando a pasta na 9º posição entre os órgãos federais que mais receberam emendas --o valor ainda pode ser modificado durante o ano.

Em geral, a verba que chega ao ministério é repassada para convênios com estados ou usado em compras do governo federal de equipamentos para as forças locais de segurança, como as polícias federal e militar.

A soma da verba indicada pelos parlamentares à pasta, porém, têm subido. Em 2023, foram empenhados cerca de R$ 500 milhões, valor que chegou a R$ 834 milhões no ano seguinte.

As bancadas estaduais foram responsáveis por indicar R$ 793,8 milhões das emendas ao ministério em 2025, o que corresponde a 74,7% do valor destinado à segurança pública. Dados que incluem Câmara e Senado.

A bancada de São Paulo foi a que mais alocou recursos para a área, destinando R$ 254,4 milhões, valor equivalente a 48,11% de sua cota de emendas. Na sequência, aparecem Minas Gerais com R$ 105,8 milhões; Paraná, com 93,2 milhões e Espírito Santo, com R$ 83,3 milhões.

SESC PICASSO

O Orçamento de 2025 reserva R$ 50,3 bilhões para emendas parlamentares. A área da saúde concentra o maior volume, com R$ 26,3 bilhões --os parlamentares são obrigados a aplicar metade das emendas individuais e de comissão na pasta da Saúde, que repassa os recursos para os estados.

As emendas são uma forma pela qual deputados e senadores conseguem enviar dinheiro para suas bases eleitorais e, com isso, ampliar seu capital político. A prioridade do Congresso tem sido atender seus redutos eleitorais, e não as localidades de maior demanda no país.

Segundo coordenadores de bancadas ouvidos pela Folha, cada estado adota uma estratégia própria para a destinação dos recursos. Em alguns casos, os valores são divididos individualmente entre os parlamentares e, em outros, a decisão é tomada de forma consensual. Há também situações em que a negociação envolve diretamente os governos estaduais

A reportagem procurou as sete bancadas dos estados com alta criminalidade que não alocaram recursos para segurança pública.

O coordenador de Alagoas, deputado Paulão (PT), disse que as emendas são decididas coletivamente e tradicionalmente priorizam saúde, educação e assistência social. "Alagoas é pequeno, mas com grande contradição social".

CONTADOR - BONUS

A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), coordenadora de Mato Grosso, afirmou que houve negociação com o governo do estado para que as emendas fossem para a saúde, liberando recursos próprios estaduais para segurança. "Quando destino à saúde, também ajudo a segurança", disse.

O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), da bancada de Pernambuco, afirmou que seguem prioridades do governo estadual. "Para que a gente apresente uma emenda, é natural que sejamos cobrados e demandados", afirmou.

O coordenador da bancada de Sergipe, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que, em 2025, a segurança não foi o foco porque, nos anos anteriores, já houve destinação de recursos. "Há projetos na área da segurança ainda em execução. Mas eu mesmo já destinei cerca de R$ 30 milhões, declarou.

Já o deputado Robinson Faria (PL-RN), coordenador da bancada do Rio Grande do Norte, disse que nenhuma delas foi direcionada para a área de segurança pública, pois o estado enfrenta outras prioridades. "A arrecadação não é suficiente nem para cobrir as despesas com a saúde. Sem as emendas, faltam recursos para cirurgias", afirmou.

Os coordenadores de Amazonas e Pará não responderam.

O ministério comandado por Ricardo Lewandowski também recebeu R$ 268,5 milhões em emendas individuais apresentadas por 241 deputados e senadores. Os partidos dos parlamentares que mais mandaram emenda são PL, Republicanos, PSD, PP e PT.

Entre os 97 parlamentares titulares e suplentes da Comissão de Segurança Pública da Câmara e do Senado, 50 encaminharam recursos por meio de emendas individuais.

O presidente da Comissão temática da Câmara, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), afirmou que, apesar de ser uma comissão numerosa, são poucos os parlamentares realmente assíduos.

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"O que a gente percebe é que a destinação de recursos não segue, necessariamente, uma lógica alinhada aos princípios que o deputado defende. Essa é mais uma das incoerências do parlamento", apontando que a segurança pública é uma prioridade que traz benefícios diretos para toda a população.

Já o senador Sergio Moro (União -PR), vice-presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, afirmou que não conhece em detalhes a atuação dos demais parlamentares, mas ressaltou que destina recursos para a área.

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, afirmou que as emendas parlamentares são hoje uma das principais fontes de financiamento de políticas públicas. Ele destacou que o ministro Lewandowski tem ressaltado a importância desses recursos diante dos cortes no Fundo Nacional de Segurança Pública e no Fundo Penitenciário.

"É fundamental que os parlamentares transformem essa preocupação em medidas concretas para fortalecer a segurança pública", disse.

A maior parte dos recursos indicados por emendas é direcionada o fortalecimento de suas forças de segurança, principalmente com a aquisição de viaturas e armamentos.

Felippe Angeli, coordenador de Advocacy do Justa, criticou a forma como os recursos têm sido aplicados na área, apontando que, embora os estados cheguem a gastar até 10% do orçamento próprio com as polícias, nem sempre esse investimento se traduz em resultados efetivos.

"A impressão que temos é que a maior parte dos investimentos repete o mesmo padrão: ostensividade, armamento e viaturas. Crimes de alta complexidade demandam outros tipos de investimentos, que ainda não estão acontecendo".

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