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Seca história no rio Tapajós isola mais de 9.000 famílias no Pará

FolhaPress 16/10/2024 16:13

MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) - O rio Tapajós, em Santarém (PA), registrou no último domingo (13) o nível mais baixo de sua história. Segundo a Defesa Civil do município, a medição chegou a -16 centímetros. Nesta quarta-feira (16), o nível apresentou uma ligeira subida e está em 0,05 cm.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O órgão afirma que 9.252 famílias vivem nas regiões dos rios e que sofrem com isolamento por conta da dificuldade de transporte. Mantimentos estão sendo entregues às pessoas.

De acordo com estimativa do Governo do Pará, a estiagem no oeste do estado já atingiu cerca de 150 mil pessoas, uma vez que a crise hídrica também assola o rio Amazonas.

O governo informou que iniciou a distribuição de cestas básicas e água potável para 5.500 famílias de 187 comunidades ribeirinhas e quilombolas afetadas pela seca e queimadas na região. O governador Helder Barbalho (MDB) participou da entrega no quilombo Arapemã, em Santarém.

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Para realizar as entregas nas áreas de difícil acesso, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros utilizam barcos e aeronaves.

Boletins da Defesa Civil de Santarém mostram que o rio Tajapós alcançou 7 cm na sexta-feira (11) e continuou em queda no sábado (12), atingindo -12 cm. Com o número histórico atingido no domingo, as medições passaram a subir ligeiramente.

No dia 25 de setembro, reportagem da Folha de S.Paulo registrou que o rio Tapajós estava em 91 centímetros, menor índice desde 1995, quando foi iniciada a medição. Em 2010, na seca considerada mais drástica até então, o nível ficou em 2 metros.

Líder do povo borari de Alter do Chão, o cacique Rosivaldo Maduro disse que a seca já causava impacto direto na economia da vila balneária, onde ao menos cem catraieiros (barqueiros) tinham suspendido as atividades.

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"A seca desempregou mais de cem pessoas, porque tem cem catraias cadastradas e tem os donos e as pessoas que trabalham para eles. Essas pessoas estão sem trabalhar", disse o cacique à época.

Em 2023, a Folha de S.Paulo já tinha revelado que os efeitos da estiagem que afetava o sul amazônico havia alterado a paisagem de pontos turísticos como Alter do Chão. Na época, o rio Tapajós tinha altura de 1,58 m.

Relatório do dia 11 de outubro da ANA (Agência Nacional das Águas) afirma que o Pará registrou 100% de seu território com seca em agosto e que o último registro havia sido em novembro de 2023. Além disso, a seca grave avançou de 1% em julho para 3% -em janeiro, o índice foi de 8% no estado.

No dia 23 de setembro de 2024, a agência declarou situação crítica de escassez hídrica no rio Tapajós, no trecho compreendido entre os municípios de Itaituba e Santarém até 30 de novembro.

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A nota afirma que, de acordo com os institutos de climatologia, a precipitação acumulada na bacia do rio de outubro de 2023 a agosto de 2024 foi caracterizada por chuvas abaixo da média, tendência que continua no período seco.

O governador Helder Barbalho (MDB) decretou situação de emergência no estado com o intuito de mitigar os efeitos da estiagem nas regiões do Tapajós e baixo Amazonas.

O prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (União Brasil), também decretou situação de emergência no município, o que autoriza a prefeitura a mobilizar todos os órgãos municipais e voluntários, além de realizar campanhas de arrecadação de recursos.

O decreto também dispensa a necessidade de licitação em contratos de aquisição de bens para atendimento da situação emergencial ou calamitosa.

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