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Saiba como funciona o Masp, que enfrenta crise após alto escalão pedir demissão

FolhaPress 06/05/2025 14:16

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Considerado o museu mais importante do hemisfério sul, o Museu de Arte de São Paulo, o Masp, enfrenta abalos institucionais após a demissão coletiva de membros de seu alto escalão. Entre os que deixam a liderança, estão o vice-presidente, Jackson Schneider, e um dos diretores estatutários, Jean Martin Sigrist Júnior.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Além disso, abandonaram o comando Geyze Diniz, vice-presidente do conselho e viúva de Abilio Diniz, grandes doadores que ajudaram a financiar os R$ 250 milhões necessários para a expansão do museu, que ganhou um novo prédio em março deste ano. No entanto, todos os que pediram para sair afirmaram, em um comunicado, que continuarão patrocinando o museu.

Como o Masp é financiado?

Dono de um acervo que vale mais de US$ 1 bilhão, o Masp se sustenta não só por doações diretas, mas também por dinheiro proveniente da bilheteria e do aluguel de espaços.

Além disso, recursos captados por meio da Lei Rouanet ajudam a manter a instituição, que é presidida por Heitor Martins -empresário e colecionador que agora é alvo de insatisfações da diretoria do museu.

Entre as críticas, estão aquilo que enxergam como uma tentativa de permanecer no cargo além do prazo, a falta de diversidade no conselho que comanda o museu e a queda nos números de visitação.

Como funciona o Masp e quem organiza as exposições?

SESC PICASSO

Heitor Martins foi eleito em 2014 por um conselho deliberativo, que atualmente é formado por 68 pessoas e presidido pelo empresário Alfredo Egydio Setubal. Além de eleger o presidente do museu, os conselheiros são os responsáveis por escolher os sete diretores estatutários.

Por sua vez, o presidente e os diretores estatutários elegem os quatro diretores executivos. Esses profissionais são aqueles que de fato atuam no dia a dia da instituição.

É o caso de Adriano Pedrosa, diretor artístico da instituição desde 2014 e que, junto à equipe de curadores, é responsável pelas exposições que ajudaram a devolver público e relevância ao museu.

Em 2018, por exemplo, ele assinou a curadoria de "Histórias Afro-Atlânticas". Reunindo 450 trabalhos de 214 artistas, a mostra foi eleita pelo jornal The New York Times uma das melhores de 2018.

CONTADOR - BONUS

Atualmente, há cinco exposições em cartaz no novo anexo do Masp. No sexto andar, "Historias do Masp" conta, por exemplo, como o museu formou seu acervo com peças de Rembrandt, Van Gogh, Picasso e Tarsila de Amaral.

Já a mostra "Renoir" reúne 12 pinturas e uma escultura do francês no quinto andar. No piso abaixo fica "Geometrias", com 50 obras de artistas como Lygia Clark, Tomie Ohtake e Ferreira Gullar, que exploram linhas e formas em pinturas e esculturas.

O terceiro andar recebe "Artes da África", um conjunto de 40 obras do continente. Abriga objetos do cotidiano, máscaras e mobiliários. E no segundo piso há uma videoinstalação em que Fernanda Torres e Fernanda Montenegro interpretam escritos de Lina Bo Bardi.

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