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Ruas da região central de São Paulo voltam a sofrer com falta de energia

FolhaPress 05/04/2024 10:53

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Comerciantes e moradores da região central de São Paulo, nas proximidades do Mercado Municipal, estão sem energia elétrica desde a tarde desta quinta (4). O problema começou com oscilação na eletricidade e depois a interrupção foi geral.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A falha começou por volta das 15h30 e afeta principalmente as ruas da Cantareira, onde fica o Mercadão, e Miguel Carlos.

A Enel afirmou que cabos da rede subterrânea foram furtados após falha em um equipamento.

A nova falta de energia acontece após a região central enfrentar dias de desabastecimento, com perda de mercadorias, sumiço dos clientes, e moradores que não conseguiam trabalhar de casa. A região da 25 de Março, Bela Vista, Consolação, Higienópolis, Campos Elíseos, entre outros, foram as mais afetadas no mês de março.

O icônico edifício Copan, na região central, também sofreu com falta de energia por dias seguidos. Diversos pacientes, inclusive de outras regiões do estado, perderam consultas e procedimentos porque a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo também foi impactada pela falta de energia.

Após as ocorrências, ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira afirmou que o governo quer criar regras mais rígidas para as concessões de energia elétrica, antecipar a renovação de quem já puder cumprir as novas normas e barrar a extensão daquelas que não aderirem a tais normas —o que pode impactar o caso da Enel.

SESC PICASSO

Os comerciantes da região central de São Paulo reclamam de prejuízos com a nova falta de energia.

"A gente não consegue atender os clientes, pois nosso sistema é totalmente online. Isso dificulta muito e está nos gerando um prejuízo imenso", disse Samuel Cardoso, funcionário de uma loja de informática e acessórios.

A loja está às escuras e teve de colocar uma barreira na entrada, indicando aos clientes que apesar de estar com as portas abertas, o atendimento não pode ser realizado.

Na região, diversos estabelecimentos estão com as portas fechadas e os funcionários do lado de fora, na expectativa de o fornecimento ser restabelecido.

Funcionários de boxes do Mercadão ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que há energia na local, mas não sabem se há geradores abastecendo o prédio. A assessoria do Mercado Municipal foi acionada nesta manhã, mas não havia se manifestado até a publicação deste texto.

As lojas que estão funcionando normalmente são aquelas que contrataram geradores para manter as portas abertas.

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Esse é o caso do mercado Bella Calabria, por exemplo. Um funcionário disse à Folha de S.Paulo que também estão sem energia desde a tarde de ontem, mas decidiram investir no aluguel de um gerador para o prejuízo não ser maior com as portas fechadas e até com mercadorias estragadas.

Questionada, a Enel afirmou que segue trabalhando no local para restabelecer a energia para os clientes impactados.

"Um furto de cabos na rede subterrânea impossibilitou que fossem realizadas manobras automáticas na rede após a falha em um equipamento, causando a interrupção no fornecimento de energia. A companhia trabalha para restabelecer o fornecimento no menor prazo possível", afirmou a companhia.

O Procon de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (4) que aplicou mais uma multa à Enel pelas falhas no fornecimento de energia na região central da capital paulista, por cobranças indevidas e por não ter respondido uma notificação anterior do órgão de defesa do consumidor.

O valor total da nova multa aplicada é de R$ 12.914.591,84.

Dentre as infrações listadas, a mais destacada pelo Procon-SP foi a falta de fornecimento de energia para a Santa Casa, no bairro de Vila Buarque, no dia 18 de março "tanto pela rede normal quanto por geradores, que demoraram muito para serem acionados".

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Outras falhas constatadas pela fiscalização do órgão são interrupções na região da rua 25 de Março e em outros endereços nos bairros de Higienópolis e Santa Cecília. Além disso, também foram citadas cobranças indevidas, problemas no serviço de atendimento ao cliente e falta de respostas à notificação anteriormente enviada à empresa.

Procurada pela reportagem, a empresa respondeu apenas que "foi notificada pelo Procon e irá responder no prazo estabelecido".

Somando-se todas as sanções aplicadas à Enel, o valor supera R$ 700 milhões em multas e compensações financeiras por falhas nos serviços desde 2018, uma média de R$ 100 milhões em punições por ano.

Em novembro do ano passado, uma tempestade deixou cerca de 11 mil imóveis sem energia por seis dias seguidos. No total, o apagão atingiu 2,1 milhões de clientes da Enel em 24 cidades da região metropolitana e a companhia também foi multada.

Na ocasião, vereadores da Câmara Municipal de São Paulo também aprovaram a abertura de uma CPI para investigar a prestação de serviço da Enel na cidade. Isso ocorre apesar de a concessão dos serviços de distribuição de energia ser federal e regulada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

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