Escola leva à avenida enredo sobre o Rio Cricaré e transforma a história de São Mateus em narrativa de identidade, memória e pertencimento
O Sambão do Povo se transformou em palco de memória, canto e identidade na segunda noite do Carnaval 2026. Abrindo o segundo dia de desfiles, neste sábado (7), a escola de samba Rosas de Ouro apresentou o enredo Cricaré das origens – O Brasil que nasce em São Mateus, colocando o Rio Cricaré no centro de uma narrativa marcada por história, resistência e pertencimento cultural.
Do primeiro ao último setor, o desfile conduziu o público por uma travessia simbólica pelas origens do norte capixaba. A trajetória histórica de São Mateus foi apresentada por meio de imagens, cores e sons que destacaram a presença dos povos indígenas, a herança africana, a fé, o trabalho e as lutas que moldaram o município ao longo dos séculos.
Além da força temática e da leitura histórica, a Rosas de Ouro reforçou um marco do carnaval capixaba ao manter o pioneirismo de ser a única escola com uma intérprete mulher à frente do carro de som. A presença feminina no comando do samba foi apresentada como símbolo de representatividade, diversidade e evolução dentro da agremiação.
A emoção esteve presente também entre os componentes da escola. “Desfilar hoje foi como contar a história dos meus antepassados com o corpo inteiro”, afirmou Ana Paula Nogueira, 34 anos, integrante da Rosas de Ouro. “A gente não veio só sambar, veio lembrar que esse rio é origem, é luta e é vida. Quando a bateria entrou, eu chorei.”
Para João Victor Almeida, 27 anos, o peso simbólico do enredo ultrapassou o espetáculo. “Representar essa história é muito maior do que um desfile. É justiça histórica. É dizer que São Mateus também é Brasil profundo, resistente, que não se apaga.”
Nas arquibancadas, o impacto do desfile foi percebido pelo público. A professora Luciana Ribeiro, 42 anos, acompanhou a apresentação atenta e emocionada. “Foi um desfile que não passou correndo. Ele ficou. Cada parte fazia sentido, cada verso do samba conversava com o que estava sendo mostrado. Saio daqui com vontade de conhecer ainda mais São Mateus.”
Já o comerciante Carlos Henrique Souto, 51 anos, destacou o papel do Carnaval para além da avenida. “Pra gente que trabalha com comércio, esse movimento faz toda a diferença. São dias que ajudam a fechar o mês, a complementar a renda da família. Enquanto a escola conta a história na avenida, a cidade inteira gira junto. É gente vendendo, trabalhando, acreditando.”
Com uma apresentação que reuniu impacto visual, força narrativa e emoção coletiva, a Rosas de Ouro abriu a segunda noite de desfiles reafirmando o Carnaval como espaço de memória viva, expressão cultural e geração de trabalho e renda.
Fonte: Prefeitura de Vitória
Fotos: Marcos Salles/PMV/Divulgação