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Reunião de líderes na COP30 é antecipada e vai ocorrer em 6 e 7 de novembro

FolhaPress 13/03/2025 18:27

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Lula (PT) anunciou as novas datas da cúpula de chefes de Estado e de governo da COP30. O evento que precederá o restante da cúpula climática da ONU (Organização das Nações Unidas), em Belém, ocorrerá nos dias 6 e 7 de novembro deste ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A conferência em si, com a participação de diplomatas e ministros, será de 10 a 21 de novembro, datas que não foram alteradas.

A capital do Pará tem falta de estrutura de hospedagem para a demanda de pessoas que devem participar da COP30. São esperados 50 mil visitantes, enquanto a cidade contava, até o ano passado, com 18 mil leitos. Para aliviar o fluxo de pessoas em Belém, a organização decidiu então antecipar o encontro dos chefes de Estado e de governo.

Apesar da medida para evitar a lotação, a organização disse, anteriormente, não ter orientado qualquer redução nas delegações dos países.

As novas datas foram divulgadas nesta quinta-feira (13) por Valter Correia, secretário extraordinário para a COP30. Ele destacou a importância de realizar a abertura com mais tranquilidade e organização.

"A cúpula faz parte da COP, e a antecipação é uma decisão do Brasil. Isso nos dá tempo para uma reflexão mais aprofundada, sem a pressão da rede hoteleira ou da cidade, além de ajudar a organizar melhor a abertura oficial do evento", disse Correia.

SESC PICASSO

A cúpula de líderes faz parte das atividades oficiais de todas as conferências do clima. Normalmente, ela acontece na véspera da abertura geral de cada COP.

A antecipação já era esperada desde meados de 2024. Segundo projeções feitas pelos organizadores do encontro, a decisão tem potencial de reduzir quase pela metade o número de pessoas presentes simultaneamente na capital paraense, de 50 mil para 30 mil.

Além disso, também é esperado que diminua a pressão por acomodações de luxo, chamadas de classes A e B.

Como estratégias para vencer o gargalo de hospedagem, a organização do evento aposta em cruzeiros de luxo, uma vila provisória e aluguéis em plataformas como Airbnb.

Atualmente, pela falta de vagas combinada com a alta demanda, o mercado imobiliário em Belém tem preços exorbitantes e irreais em plataformas de aluguéis, contratos atípicos, intenções de despejo de inquilinos, represamento de imóveis e ofensivas de grandes empresas por apartamentos.

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Proprietários de imóveis estão represando vagas de aluguel para ofertá-las durante a COP30, diante da perspectiva de ganhos estratosféricos. Há ofertas na casa dos milhões de reais em plataformas privadas.

Essas ofertas são tidas como irreais, ilusórias e abusivas pelo Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) no Pará. Há casos, segundo a entidade, em que são pedidos R$ 2 milhões pelo aluguel da temporada da COP30, enquanto o imóvel, normalmente, custa cerca de R$ 120 mil para venda.

Apartamentos com cinco camas, disponível para 17 diárias durante o período da conferência, chegam a ser anunciado por mais de R$ 2 milhões. Uma rede de hotel chega a cobrar US$ 2.000 por um leito, por dia, durante a COP30, para hospedagem numa unidade em Ananindeua, cidade colada em Belém. Uma diária, hoje, custa R$ 336.

A situação de Belém e perspectivas de que a cidade não tivesse condições de receber a cúpula já foram comentadas pelo presidente Lula (PT). Ele afirmou ter recebido sugestões para transferir a realização para o Rio de Janeiro ou São Paulo.

Sobre a escolha da cidade, Lula disse que não iria "enfeitar" Belém nem "tirar o pobre da rua" para a realização da COP30. "Eu quero que eles vejam a nossa Belém do jeito que ela é", afirmou.

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"Se não tiver hotel cinco estrelas, durma num de quatro. Se não tiver de quatro, durma num de três. Se não tiver de três, durma [sob a] estrela do céu, do mundo, olhando para o céu, que vai ser maravilhoso", afirmou também Lula em evento em Belém na última semana.

O governo federal também pretende lançar, por volta de março, um portal na internet para centralizar as reservas de hospedagem. A ideia vem sendo discutida pela Secretaria da COP30 com a Casa Civil.

A ideia é reunir, em um mesmo site, ofertas da rede de hotéis e hostels da cidade, quartos nos cruzeiros atracados no porto, leitos das escolas que serão usadas para alojamento e também casas de moradores que queiram alugar o espaço durante o evento.

No total, o Governo do Pará calcula que serão investidos de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em obras de infraestrutura para a conferência —como drenagem e melhoria de canais.

Cerca de R$ 1 bilhão será custeado com verbas de Itaipu, a fundo perdido, R$ 2,3 bilhões virão de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o restante, da gestão estadual.

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