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Recuperações judiciais no agronegócio crescem 56,4% e atingem recorde

Setor registrou 1.990 pedidos em 2025, enquanto R$ 207,4 bilhões da carteira de crédito rural estavam em situação desfavorável em julho de 2026

Vitória News 29/09/2026 07:15
Recuperações judiciais no agronegócio crescem 56,4% e atingem recorde
Foto: Wenderson Araujo/CNA

O agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, aumento de 56,4% em relação ao ano anterior e maior número da série histórica, segundo dados da Serasa Experian. A pressão continuou em 2026: no primeiro trimestre, os pedidos ficaram 21,9% acima do registrado no mesmo período de 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O cenário também aparece nos números do crédito rural. Levantamento do BTG Pactual, elaborado com dados do Banco Central, aponta que R$ 207,4 bilhões estavam em situação considerada desfavorável em julho, incluindo operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.

O montante representa cerca de 23,5% de uma carteira nacional de crédito rural de R$ 881,6 bilhões.

O quadro foi discutido nesta segunda-feira (28) durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Participantes apontaram juros elevados, dificuldades de financiamento, seguro rural e previsibilidade das regras como alguns dos principais desafios enfrentados pelo setor.

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O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou que o custo do crédito tem pressionado as atividades do campo. Na avaliação dele, a capacidade produtiva permanece forte, mas o ambiente financeiro reduz a margem de decisão dos produtores.

Melo Filho também destacou o peso do agronegócio paulista. Segundo os dados apresentados, o setor movimentou R$ 657,6 bilhões em 2024, equivalente a 18,9% do Produto Interno Bruto do estado e a 24% do PIB do agronegócio brasileiro.

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Entre janeiro e agosto de 2026, São Paulo exportou US$ 17,79 bilhões em produtos do agronegócio, figurando como o segundo maior exportador do setor no país, atrás de Mato Grosso.

A diversificação é uma das características da produção paulista. Mais de 20 cadeias movimentam acima de R$ 1 bilhão por ano. A cana-de-açúcar lidera, com R$ 55,2 bilhões, seguida pela carne bovina, com R$ 22,7 bilhões, e pela laranja, com R$ 19,7 bilhões. Frango, café e soja também aparecem entre as atividades de maior valor.

Durante a reunião, representantes do setor defenderam ainda o fortalecimento do seguro rural e de mecanismos que reduzam os riscos financeiros para o produtor.

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Segundo os dados apresentados pelo governo paulista, R$ 1,2 bilhão foram destinados ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), que alcançou cerca de 33 mil produtores. Outros R$ 390 milhões foram aplicados em subvenção ao seguro rural, com 52.641 apólices, e R$ 180 milhões foram destinados ao programa Pró-Trator.

O secretário também criticou critérios da medida provisória federal voltada à renegociação de dívidas rurais. Segundo ele, problemas enfrentados por algumas cadeias paulistas não estão necessariamente ligados apenas a clima ou preços. Como exemplo, citou a citricultura, afetada pelo greening, doença que compromete os pomares.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues defendeu uma estratégia que reúna crédito, seguro rural, logística, abertura de mercados, tecnologia e sustentabilidade para ampliar a segurança do setor.

Fonte: Brasil 61

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