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Quem é o delegado da Polícia Federal preso no Rio em operação contra o CV

FolhaPress 04/09/2025 13:36

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel foi preso nesta quarta-feira (3) sob a suspeita de repassar informações sigilosas ao Comando Vermelho. Lotado no Aeroporto do Galeão, na zona norte do Rio, ele teria usado o sistema interno da corporação para monitorar investigações contra a facção criminosa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A prisão ocorreu durante a Operação Zargun, que mirou agentes públicos e políticos ligados ao tráfico internacional de armas e drogas. Stteel foi detido enquanto trabalhava no plantão da Delegacia da PF no aeroporto.

A reportagem não localizou a defesa do delegado.

Em 2008, ele foi preso na Operação Resplendor, que investigava um esquema de fraudes em combustíveis com participação de empresários e policiais federais, civis e militares. À época, foi inocentado da acusação de corrupção, mas condenado por abuso de autoridade.

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Gustavo Stteel chegou a ser expulso da PF, mas conseguiu retornar ao cargo após mudanças na lei que passaram a exigir reincidência para esse tipo de infração. Desde então, atuou em diferentes unidades, como a Delegacia da Previdência, o plantão da Praça Mauá e a delegacia do Galeão.

Nas redes sociais, o delegado também se apresentava como pós-graduado e professor de direito constitucional. Em uma postagem em maio deste ano, o delegado publicou uma homenagem que recebeu da Câmara Municipal de Nilópolis, na Baixada Fluminense. A imagem mostra uma moção de aplausos que exaltava seu "excelente trabalho no combate ao crime no âmbito aeroportuário".

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Stteel também ostentava uma vida de luxo em suas postagens. Há cerca de duas semanas, fez uma publicação com a noiva exibindo um anel confeccionado pelo deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (MDB), conhecido como TH Joias, também preso nesta quarta como principal alvo da operação. Segundo as investigações, a aproximação entre os dois ocorreu por meio do próprio CV.

De acordo com a PF, Stteel consultava o sistema da corporação para verificar se havia mandados contra o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, também preso na operação. Além disso, o delegado também identificava quais policiais atuaram em operações contra facções no Rio.

A polícia aponta que o grupo acessava informações sigilosas para beneficiar a facção e se aproveitava dos cargos para garantir impunidade. Eles também são suspeitos de importar armas do Paraguai e antidrones da China.

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De acordo com o superintendente da corporação no Rio, Fábio Galvão, o delegado de fato mantinha contato com o Comando Vermelho, mas não há indícios de que tenha sido o responsável por vazar dados da operação deflagrada nesta quarta-feira.

"Ocorreu um vazamento e a gente vai instaurar um inquérito policial para tentar detectar e possivelmente vamos chegar ao vazador", disse Galvão.

A PF foi às ruas com 18 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, e 15 foram cumpridos. Os agentes também cumpriram 22 mandados de busca e apreensão, além de determinar o sequestro de R$ 40 milhões em bens e valores de investigados.

A ação foi conduzida pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil.

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