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Quem é Fernando Sastre, condutor de Porsche condenado a 17 anos de prisão

Estadão Conteúdo 30/10/2026 15:30

Mais de dois anos após o acidente que matou o motorista de aplicativo Orlando da Silva Viana, de 52 anos, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, um mês e dez dias de prisão nesta sexta-feira, 30. Na ocasião, ele dirigia um Porsche 911 que atingiu o carro da vítima, na zona leste de São Paulo.

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Na época da colisão, em 31 de março de 2024, o empresário tinha 24 anos e atuava nos setores imobiliário e de materiais de construção civil. Segundo a Polícia Civil, ele tinha participação em quatro empresas da família.

Uma delas é a incorporadora Sastre Empreendimentos Imobiliários, da qual Fernando constava como sócio. Fundada em outubro de 2020, a empresa tem sede na capital paulista e capital social declarado de R$ 430 mil. O quadro societário é composto por quatro pessoas da mesma família.

Outra empresa ligada aos familiares é a F. Andrade, que comercializa ferro e aço para construção civil. Classificada como de pequeno porte, a distribuidora também tem sede em São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 30º Distrito Policial, no Tatuapé, a empresa era proprietária do Porsche Carrera envolvido no acidente, avaliado em mais de R$ 1 milhão.

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Sastre também foi condenado pelas lesões causadas a Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo que estava no veículo e ficou gravemente ferido na colisão. Ele precisou passar por uma cirurgia para a retirada do braço.

As investigações apontaram ainda que o empresário havia consumido bebida alcoólica antes de assumir a direção. A defesa dele não foi localizada.

Empresário disse que se arrepende do crime

A sentença, que prevê o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado, foi anunciada na madrugada desta sexta-feira, após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Além da pena de prisão, a decisão determinou que Sastre fica proibido de conduzir veículos automotores.

Durante o julgamento, o empresário afirmou estar arrependido do que fez e de não ter contado a verdade desde o início das investigações.

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"Poderia colocar mil desculpas, mas não tem justificativa para isso que eu fiz. Me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início", afirmou durante depoimento no júri. As imagens foram divulgadas pela TV Globo.

Interferência da mãe e fuga

O julgamento começou na quarta-feira, 28, e teve 11 testemunhas ouvidas ao longo dos dois dias, de um total de 14 arroladas no processo. Entre elas estavam a policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que participou do atendimento da ocorrência e liberou o empresário sem que ele realizasse o teste do bafômetro, e o perito criminal Alfredo Vieira das Neves, contratado pela defesa.

A conduta dos policiais militares durante o atendimento também foi questionada pelo Ministério Público. Segundo a Promotoria, os agentes permitiram que Sastre deixasse o local do acidente acompanhado da mãe, que sugeriu levá-lo a um hospital para a realização de exames.

O empresário, porém, seguiu para casa e só compareceu à delegacia cerca de 36 horas após a colisão. Para a acusação, a liberação sem a realização do teste do bafômetro comprometeu o andamento das investigações e dificultou a apuração das circunstâncias do acidente.

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Os policiais foram denunciados pela Promotoria de Justiça Militar pelo crime de inobservância de lei, na modalidade de tolerância, previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.

Relembre o acidente

A colisão aconteceu na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. Sastre dirigia um Porsche quando atingiu a traseira do Renault Sandero conduzido por Viana. A perícia apontou que o veículo de luxo trafegava a 156 km/h, mais de três vezes o limite permitido na via, de 50 km/h. O motorista de aplicativo chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico.

Eugênio Malavasi, advogado de Sastre, afirmou ao Estadão que a defesa respeita a decisão dos jurados, mas discorda do resultado e já apresentou recurso de apelação. "No entender da defesa, a decisão contraria de forma manifesta a prova dos autos, e nós iremos, em grau de apelação, buscar a anulação deste júri", declarou.

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