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'Que chore a mãe do criminoso', diz novo secretário de Nunes a guardas-civis de SP

FolhaPress 21/01/2025 16:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O novo secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando, defendeu que guardas-civis metropolitanos matem criminosos quando estiverem em situações de confronto. Ele discursava durante a formatura de 500 novos agentes da força municipal, na manhã desta terça-feira (21).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Tenham a clareza que, se num confronto com um criminoso, que chore a mãe do criminoso e nenhum parente de vocês", disse o secretário. "Não fiquem acima da lei, mas não se sintam intimidados e abaixo dela", complementou.

A fala do secretário foi seguida de gritos e aplausos do público e dos próprios guardas-civis.

Por regra, agentes de segurança não podem disparar armas de fogo a não ser que estejam em situação de risco iminente à vida. Desde 2023, porém, há um aumento de ocorrências em que esses protocolos operacionais têm sido desrespeitados no estado de São Paulo, principalmente por policiais militares, e há um aumento no número de mortes provocados pelas forças de segurança.

Durante a fala, Morando quebrou o protocolo e desceu do palanque de autoridades, posicionando-se no mesmo nível onde estava a tropa de recém-formados. Ele caminhou de um lado para o outro em frente às fileiras de formandos, seguido por câmeras.

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Outras autoridades no evento foram mais contidas nos discursos à tropa. O vice-prefeito, coronel Ricardo Mello Araújo, —que já comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da PM conhecida pelos altos índices de letalidade— recomendou aos guardas que "sejam temidos pelos criminosos".

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) fez declarações semelhantes: "temos que fazer com que os bandidos temam a Guarda Civil Metropolitana, e isso já vem acontecendo". Mais tarde, durante entrevista coletiva, o prefeito disse que não há intenção de que a GCM endureça a forma como atua nas ruas da capital.

Nunes também destacou os números de prisões de foragidos e flagrantes do programa Smart Sampa, que usa câmeras com tecnologia de reconhecimento facial, inclusive a falta de confronto nas mais de 880 prisões de procurados pelo sistema de Justiça.

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"Vocês sabem quantos tiros foram dados para que fossem levados para trás das grades 488 foragidos?", questionou o prefeito. "Nenhum tiro. Não quer dizer, se necessário for, que não tenha de utilizar daquilo que lhes é garantido pela Constituição."

Apesar do discurso em alusão a confrontos com criminosos, a GCM foi criada originalmente para se concentrar na proteção do patrimônio público —o combate ao crime, formalmente, é função das polícias estaduais. Diversas leis e normas do Executivo têm conferido à guarda municipal poder de polícia e autorização para posse e porte de armas ao longo da última década, e há decisões judiciais divergentes sobre o escopo de atuação dessas corporações.

Enquanto o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decide que a guarda municipal deve focar na proteção de bens, serviços e instalações municipais, conforme previsto na Constituição, o STF (Supremo Tribunal Federal) estabeleceu que essas guardas são oficialmente integrantes do Sistema de Segurança Pública.

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No ano passado, a Justiça de São Paulo determinou que a GCM paulistana deve aderir estritamente aos seus deveres constitucionais. Por esse motivo, foram proibidos o uso de balas de borracha, bombas de gás e formações de ataque semelhantes às usadas pela Polícia Militar na cracolândia.

Mais tarde, Morando foi questionado se o discurso poderia incentivar a tropa a desrespeitar protocolos e aumentar a probabilidade de ocorrências com mortes desnecessárias, mas não respondeu.

"Um criminoso que insurge contra autoridade está colocando em risco a vida dele, mas comprometendo a vida de um GCM. Eu tenho certeza que não quero que chore a mãe do GCM, é minha convicção pessoal", disse o secretário.

Nunes e Morando também refutaram a ideia de guardas-civis usarem câmeras corporais nas fardas. Eles disseram que a força municipal não precisaria dos equipamentos porque já há milhares de câmeras do Smart Sampa instaladas em pontos fixos da cidade. Nunes alegou que é rígido com eventuais desvios de conduta na corporação.

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