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Quase metade dos trabalhadores da indústria não faz atividade física no lazer, aponta pesquisa

Levantamento com quase 58 mil profissionais também revela estresse elevado em 20,3%, alimentação inadequada e excesso de tempo diante das telas, sobretudo entre os mais jovens

Vitória News 03/09/2026 07:29
Quase metade dos trabalhadores da indústria não faz atividade física no lazer, aponta pesquisa
Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Quase metade dos trabalhadores da indústria brasileira não pratica atividade física durante o tempo livre, enquanto um em cada cinco relata níveis elevados de estresse. Os dados fazem parte do VigIndústria Brasil, levantamento do Serviço Social da Indústria (SESI) que traça um panorama dos hábitos, da saúde e do bem-estar dos profissionais do setor.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A pesquisa foi realizada entre julho e dezembro de 2025 e ouviu 57.952 trabalhadores de 825 empresas. Ao todo, foram analisados 33 indicadores relacionados a comportamento, saúde física e mental, autocuidado e segurança no ambiente profissional.

Além da baixa prática de exercícios, o estudo identificou outros fatores que podem representar risco à saúde no longo prazo. Entre os entrevistados, 71% disseram consumir poucas frutas e hortaliças.

O uso prolongado de equipamentos eletrônicos também chamou atenção. Cerca de 34% dos trabalhadores afirmaram permanecer três horas ou mais por dia diante de computadores, tablets ou celulares durante o lazer.

Entre os profissionais com menos de 30 anos, esse percentual sobe para 48%.

Jovens concentram maior exposição às telas

A especialista em saúde integral do SESI Georgia Matos destacou que o comportamento observado entre trabalhadores mais jovens pode repercutir em diferentes áreas da vida.

Segundo ela, o excesso de tempo conectado está associado, entre os entrevistados, a indicadores relacionados à qualidade do sono, aos relacionamentos e ao nível de estresse.

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A avaliação do SESI é que informações desse tipo podem ajudar empresas a direcionar programas de prevenção e promoção da saúde para grupos que apresentem necessidades específicas.

Estresse elevado atinge um em cada cinco

O bem-estar mental aparece entre os principais pontos de atenção do levantamento.

Ao todo, 20,3% dos trabalhadores declararam níveis elevados de estresse.

Outros 18,7% disseram ter dificuldade para relaxar e aproveitar o tempo livre. Entre os profissionais com menos de 30 anos, a proporção chega a 21%.

Segundo especialistas em medicina do trabalho ouvidos na divulgação do levantamento, fatores como sedentarismo, alimentação inadequada, sono de baixa qualidade, excesso de peso, estresse persistente e exposição prolongada às telas podem se somar ao longo dos anos.

O diretor administrativo adjunto da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Ricardo de Almeida Sebba, aponta que esse conjunto de fatores pode aumentar o risco de problemas como obesidade, hipertensão, alterações no colesterol, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

No campo profissional, também podem surgir consequências como fadiga, dificuldade de concentração, redução da capacidade de trabalho, absenteísmo e afastamentos prolongados.

Obesidade aparece como condição crônica mais frequente

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Entre as condições de saúde pesquisadas, a obesidade apresentou a maior prevalência: 22,7% dos trabalhadores relataram a condição.

Problemas crônicos de coluna aparecem em seguida, citados por 19% dos entrevistados.

O colesterol alto foi informado por 17%, enquanto a hipertensão arterial alcançou 16%.

O diabetes foi relatado por 5,7% do conjunto dos participantes, mas a ocorrência aumenta significativamente conforme a idade.

Entre trabalhadores com menos de 30 anos, a prevalência foi de 3%. Na faixa de 40 a 59 anos, chegou a 8%. Entre profissionais com 60 anos ou mais, atingiu 22%.

Atividade física não precisa significar rotina de atleta

Uma das recomendações apresentadas por especialistas é incorporar o movimento de maneira regular à rotina.

Para adultos, a referência utilizada é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada ou entre 75 e 150 minutos de exercício de maior intensidade, além de atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.

Sebba ressalta, porém, que a responsabilidade não deve ficar exclusivamente com o trabalhador. As empresas também podem contribuir criando condições que favoreçam hábitos saudáveis e prevenção de doenças.

Segurança é valorizada pela maioria

O VigIndústria também avaliou a percepção dos profissionais sobre segurança dentro das empresas.

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Para 84% dos entrevistados, a segurança é considerada importante pela organização onde trabalham.

Mais de sete em cada dez disseram perceber preocupação da empresa com a prevenção e afirmaram considerar seguro o ambiente profissional.

O levantamento encontrou diferenças relacionadas ao tamanho das empresas quando o tema é preparação para emergências e prevenção de acidentes.

Nas micro e pequenas indústrias, 56% dos trabalhadores afirmaram receber treinamentos desse tipo. Entre médias e grandes empresas, a proporção chegou a 68%.

Dados podem orientar ações dentro das indústrias

O VigIndústria foi desenvolvido pelo SESI em parceria com o Conselho Nacional do SESI e o Ministério da Saúde.

A pesquisa distribuiu os indicadores em seis dimensões: perfil sociodemográfico, comportamentos de risco, bem-estar mental, doenças relatadas, percepção de saúde e autocuidado e cultura de segurança.

Segundo o SESI, o objetivo é transformar os dados em instrumentos para que empresas identifiquem fatores de risco e desenvolvam ações específicas de prevenção e acompanhamento dos trabalhadores.

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Junior, avalia que o levantamento também pode ajudar a integrar iniciativas das empresas e do Sistema Indústria às políticas públicas de promoção da saúde.

Fonte: SESI, Conselho Nacional do SESI e Ministério da Saúde, com informações do Brasil 61.

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