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Quais são as capitais com os menores índices de assassinatos do Brasil?

Estadão Conteúdo 26/05/2026 21:23

O Atlas da Violência, estudo realizado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira, 26, apontou que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma queda de 6,9% em relação ao ano anterior.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As capitais com os menores índices de assassinatos para cada 100 mil habitantes são Florianópolis (9,7), Brasília (10,9), Curitiba (13,2) e Goiânia (14,7). Na quinta posição aparece São Paulo (15,3).

Em linhas gerais, o Atlas mostra que a melhora nacional nos assassinatos foi "relativamente disseminada". Entre as taxas estaduais, apenas Maranhão (7,6%) e Ceará (5,2%) apresentaram aumento entre 2023 e 2024, enquanto não houve oscilação em São Paulo. De resto, todas as outras unidades federativas tiveram redução nas mortes violentas.

A pesquisa indica que as quedas mais intensas ocorreram no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%) e Roraima (-22,8%). No caso do número absoluto de homicídios, as maiores diminuições foram no Rio de Janeiro, com menos 772 casos, na Bahia, com menos 555, e no Rio Grande do Sul, com redução de 280.

As ocorrências, ainda assim, não alteram de forma drástica o retrato dos homicídios no Brasil. Marcados pela consolidação de facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) nos últimos anos, Norte e Nordeste seguem concentrando as maiores taxas de homicídios do País - Salvador, inclusive, é a única capital entre as 20 cidades com 100 mil habitantes ou mais com as maiores taxas de homicídio.

Conforme o Atlas, praticamente dois terços das unidades federativas (18) apresentaram taxa de homicídios acima da média nacional. Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3) e Alagoas (35,9) têm os maiores indicadores.

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São Paulo, por outro lado, teve o menor índice (6,6), seguido por Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3) e Minas Gerais (12,8).

"A análise dos últimos cinco anos revela um quadro mais contrastado. Enquanto o Brasil reduziu sua taxa em 8,6% entre 2019 e 2024, algumas Unidades Federativas experimentaram recrudescimento da violência letal", diz o estudo.

Os principais aumentos foram no Ceará (+28,0%), Maranhão (+25,9%) e Piauí (+20,5%). Já os Estados com os maiores recuos foram Acre (-47,9%), Sergipe (-47,0%), Goiás (-43,0%).

Os pesquisadores destacam que, ainda que o Brasil tenha chegado ao menor patamar desde 1998 - embora o estudo só compile dados de 2014 em diante -, a redução recente não foi homogênea e segue em patamar elevado, especialmente no Norte e no Nordeste. Outro ponto considerado sensível pelos pesquisadores é o que definem como uma piora da qualidade dos dados da saúde.

Como pesquisadores buscam driblar a limitação dos dados

O Atlas da Violência, lançado há uma década, tem o objetivo de retratar a violência no Brasil principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

É uma metodologia diferente da utilizada em outras publicações de relevância, como o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que já tabulou os dados de homicídios de 2024, mas que, para tal, se baseou nos dados das forças policiais.

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"Ter essas duas bases de dados (da saúde e da polícia) boas, com qualidade, é fundamental para a gente fazer um bom diagnóstico, para fazer políticas efetivas", diz Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e coordenador do Atlas da Violência.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará afirma que, neste ano, com os investimentos realizados pela gestão estadual e a intensificação das ações policiais, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos e de crimes contra o patrimônio, além de apresentar aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões.

A pasta afirma que em Maranguape, cidade com a maior taxa de homicídios estimados em 2024 do País (87,2), a diminuição dos crimes violentos letais e intencionais (CVLIs) foi de 95,8% de janeiro a abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Em municípios como Maracanaú e Caucaia, houve reduções de 90,4% e 39,1%, respectivamente, ainda segundo a secretaria.

"Considerando os CVLIs do quadrimestre em todo o Ceará deste ano, foram 346 crimes a menos, em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025. Nos quatro primeiros meses de 2026, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 37,2%", acrescenta.

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Já a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) afirma que os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que levam em conta as estatísticas policiais, apontam redução das mortes violentas no Maranhão nos últimos anos. "Em 2023, foram registrados 2.104 casos. Em 2024, o número caiu para 2.050 ocorrências, redução de 2,5%. Já em 2025, o Estado registrou 1.938 casos, representando nova redução de 5,5% em relação ao ano anterior", afirma.

A pasta acrescenta que, mesmo com a metodologia adotada no Atlas, o Maranhão segue entre os Estados do Nordeste com menores índices de homicídios, abaixo de Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. "Os investimentos são crescentes e permanentes em estrutura, efetivo, inteligência e integração das forças de segurança", afirma.

Como resultado disso, a Secretaria da Segurança Pública do Maranhão afirma que, nos últimos anos, mais de 13 mil integrantes de facções criminosas foram presos no Estado e mais de 11 mil armas de fogo foram retiradas das mãos do crime pelas forças de segurança estaduais.

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia, por sua vez, afirma que, conforme os registros policiais, as mortes violentas apresentaram reduções consecutivas nos últimos três anos (2023, 2024 e 2025) no Estado. "Em 2024 (ano base da pesquisa), a polícia contabilizou uma queda de 8,7% nos registros de crimes graves contra a vida (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte)", afirma, em nota.

A pasta acrescenta que, em pouco mais de três anos, 9,5 mil policiais, peritos e bombeiros foram contratados, além da construção de novas estruturas, aquisição de viaturas, armamentos e softwares de investigação. "A SSP enfatiza que as ações de combate à criminalidade continuarão norteadas pela inteligência e intensificadas em todo o território baiano", diz a secretaria.

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