Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h52m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Protetor solar contra luz azul evita danos de raios solares, mas não da luz de telas

FolhaPress 03/05/2024 10:14

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o uso intensivo de celulares e computadores, estamos expostos o tempo todo à iluminação dessas telas, que emitem a chamada luz azul. Alguns protetores solares no mercado já oferecem proteção contra a luminosidade ou minimizam os danos causados por esses raios. Mas, segundo especialistas, a proteção não é relacionada às luzes emitidas por telas, mas ao espectro azul dos raios solares.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Maurício Baptista, professor e pesquisador do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), afirma que não existe nenhum estudo que mostre que a luz de telas, como a do celular e de computadores, possa afetar a pele. "Essa história de proteger do celular é marketing puro. Sem nenhuma fundamentação científica. Alguém pode falar que [o protetor solar] não protege da luz do celular? Ninguém pode falar, porque absorve a luz do celular, mas essa luz faz mal para você? Não", explica.

Fernanda Aragão, dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), entende que, com exceção das radiações ionizantes, como a nuclear, a do Sol é a mais prejudicial para a pele. "Pensando nas radiações comuns, que estamos expostos no dia a dia, é a do Sol", diz.

SESC PICASSO

Selma Helene, médica dermatologista pediátrica no Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a intensidade da luz das telas é muito baixa para ser prejudicial para a pele. "Não existe um consenso de que a luz visível emitida pelo celular e por telas de computadores seja prejudicial. Diferentemente da luz visível solar, em que os estudos in vitro, ou seja, em tubo de laboratório, mostram que, eventualmente, a faixa azul da luz visível pode causar envelhecimento e aumento da pigmentação", relata.

Segundo Baptista, metade da exposição solar é composta por luz visível. Porém, alguns protetores solares não possuem filtros contra essa faixa de luz e focam somente a proteção contra raios UVB (ultravioleta B).

"As pessoas procuram muito por protetores com FPS alto. Eu acho que isso é um erro, porque FPS alto só quer dizer que você pode ficar mais tempo no sol sem apresentar vermelhidão. Todo o resto do espectro luminoso, que também afeta a sua pele, não é filtrado. Ninguém fala para os usuários 'olha toma cuidado, esse protetor vai deixar você ficar na praia 10 horas em vez de 10 minutos, só que você acha que está seguro e não está'. Você está recebendo muita irradiação que está penetrando livremente na sua pele", conta.

CONTADOR - BONUS

Para Aragão, a dor é protetora. "Quando tentamos colocar a mão no fogo, a gente tira porque dói. Se não temos essa sensibilidade, podemos nos machucar e acontece o mesmo com o sol. É importante toda a população saber que independentemente do tom da pele, todos nós podemos ter queimaduras solares e podemos ter consequências delas, principalmente, o mais perigoso, que é o câncer de pele", destaca

O professor explica que o FPS (Fator de Proteção Solar) filtra os raios UVB, que são absorvidos diretamente pelo DNA das células da membrana basal da pele; são os mais eficientes para causar danos e deixam a pele vermelha. Segundo Baptista, só é possível ir ao sol porque temos enzimas na pele que reparam o dano no DNA causado pelos raios UVB. "Só que a luz visível inibe esse reparo. Os raios UVA e a luz visível estão muito mais presentes e também causam mais uma outra reação que é a de oxidação. Eles causam danos metabólicos e evitam o reparo de DNA", afirma.

Baptista ressalta que o problema não é a luz do sol, "se em vez de 20 minutos você ficar três horas no sol, a dose de luz visível é cavalar. O problema é a quantidade de luz, a recomendação é de nunca ficar muito tempo no sol". O professor sugere que, em vez de procurar protetores solares com FPS alto, buscar por produtos que filtrem um amplo espectro de radiações solares.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Segundo Helene, "os protetores solares ideais são aqueles que dão uma grande cobertura para o comprimento de luz UVA, por exemplo. A luz UVA se mantém ao longo do ano inteiro, diferentemente da UVB que se alterna durante o dia. O protetor solar tem que ter pelo menos um terço de ingredientes contra a UVA".

A dermatologista afirma que alguns protetores solares que contêm óxido de ferro, dióxido de titânio e óxido de zinco parecem dar uma proteção maior contra a luz visível solar, porém ainda não há consenso entre os médicos.

Aragão entende que o protetor solar com cor oferece mais proteção do que o protetor incolor. "A cor no protetor vai proteger mais. O protetor com cor, geralmente, é a base de óxido de ferro, que é um filtro físico e que oferece uma cobertura maior. Mesmo o protetor incolor, quando passa uma base por cima, protege mais. A associação também é benéfica. Não necessariamente precisa usar o mesmo produto", explica.

Helene destaca que a cor no protetor solar não é só uma maquiagem. "Apesar de parecer uma maquiagem, não é uma maquiagem, são inúmeras partículas para aumentar o poder de proteção do protetor solar", diz.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas