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Protesto na COP30 saiu do controle, mas foi ato de resistência, dizem organizadores indígenas

FolhaPress 12/11/2025 18:24

BELÉM, AL (FOLHAPRESS) - Os indígenas do baixo Tapajós, responsáveis pela manifestação que terminou em confusão em uma zona restrita da COP30 na terça-feira (11), afirmaram que o ato fugiu de controle, mas ainda assim foi um "recado de resistência".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Nossas manifestações têm sido para que nos ouçam. Quando entram em nosso território, ninguém pede licença, acham que são donos", diz Margareth Maytapu, coordenadora do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, nesta quarta-feira (12).

Em entrevista coletiva, o grupo afirmou que tem reivindicações para fazer na COP30, mas elas não ganham amplitude na negociação oficial, ficando restritas aos espaços paralelos à cúpula.

Segundo os indígenas, apenas um representante do baixo Tapajós —formado por 14 povos indígenas, a maior concentração do Parᗠconseguiu entrar na zona azul. O espaço é controlado pela ONU e restrito a pessoas credenciadas para o evento, como negociadores e membros das delegações dos países participantes.

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A principal denúncia dos manifestantes é a privatização do rio Tapajós, junto ao Tocantins e Madeira, para ser explorado como hidrovia no transporte de cargas. Os povos indígenas também reclamam de estarem cercados por madeireiras e da mineração, que causa contaminação por mercúrio.

Além disso, os indígenas afirmam que estão insatisfeitos com o ritmo da demarcação de terras pelo governo Lula e com as negociações de crédito de carbono do governo do Pará, nas quais não estariam sendo ouvidos. "A COP30 é uma negociação, e o que mais está sendo negociado é o nosso território", diz Auricélia Arapiun, liderança indígena do Tapajós. "Não dá para falar de clima sem nos consultar."

O cacique Gilson Tupinambá também se queixou da falta de espaço para indígenas na zona azul. "O presidente Lula esteve na nossa terra, mas não nos ouviu. Privatizou o rio e vai privatizar a nossa vida."

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Sobre a manifestação da terça-feira, o grupo explicou que participava da Marcha Global de Saúde e Clima —com cerca de 3.000 pessoas, segundo a organização— quando decidiu que continuaria com um ato separado até a frente da zona azul.

Os representantes das comunidades afirmaram que os movimentos sociais que se juntaram à marcha, como o coletivo Juntos, não fizeram parte da articulação. Também admitiram que o movimento fugiu de controle ao chegar na área de negociações da COP30.

"Não sabemos dos movimentos sociais, só podemos falar por nós", disse Auricélia. "Não tivemos responsabilidade com o que as pessoas fizeram de entrar forçado".

Os organizadores da manifestação ressaltaram que a entrada na zona azul não teve alinhamento com a Marcha Global de Saúde e Clima, nem com organizações como a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

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A Apib também divulgou nota afirmando que não coordenou o movimento, mas apoiando o direito à manifestação. "A Apib reafirma que o movimento indígena é amplo e diverso e que esta entidade não coordenou as atividades da referida manifestação. Ao mesmo tempo, reitera o respeito ao direito de manifestação e à autonomia de cada povo em suas formas próprias de organização e expressão política."

O presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, afirmou nesta quarta que a manifestação faz parte de um país democrático, apesar dos excessos —mas não explicou a quem atribuía os excessos.

"Houve um certo excesso, mas eu acredito que é uma coisa que entra dentro de um contexto muito mais amplo, e a gente não pode deixar de lembrar [...] que essa já é a COP mais inclusiva. Então as pessoas têm espaço, pleno espaço para manifestar todas as suas reticências, discordâncias, dificuldades", disse.

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