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Projeto que proíbe união poliafetiva avança na Câmara dos Deputados

FolhaPress 21/12/2023 19:15

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (21) o projeto de lei que proíbe o registro de união poliafetiva, formada por mais de dois conviventes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Foram nove votos a favor e três contrários. A proposta segue agora para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Há pedido pendente de análise pela Mesa Diretora para que ela seja apreciada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, numa estratégia da base governista para dilatar o tempo de tramitação da matéria na Casa.

De autoria do deputado Vinícius Carvalho (Republicanos-SP), o texto tramita na Casa desde 2016 e motivou uma série de debates nos últimos meses. Recentemente, uma audiência no colegiado serviu de palco para o pastor Silas Malafaia desferir críticas à esquerda.

Na justificativa da proposta, Carvalho afirmou que "registros dessa natureza [união poliafetiva] vêm sendo feitos ao arrepio da legislação brasileira".

"Entendemos que reconhecer a poligamia no Brasil é um atentado que fere de morte a família tradicional em total contradição com a nossa cultura e valores sociais", afirmou o parlamentar.

O texto recebeu o parecer favorável do relator, deputado Filipe Martins (PL-TO). Para Martins, o reconhecimento de configurações familiares "ao arrepio da legislação" provoca "insegurança jurídica para as instituições 'casamento' e 'união estável'".

SESC PICASSO

Em 2018, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu que os cartórios brasileiros não podem registrar uniões poliafetivas, formadas por três ou mais pessoas, em escrituras públicas.

A maioria dos conselheiros considerou que esse tipo de documento atesta um ato de fé pública e, portanto, implica o reconhecimento de direitos garantidos a casais ligados por casamento ou união estável -herança ou previdenciários, por exemplo.

O Código Civil reconhece como entidade familiar apenas a união estável entre homem e mulher. A corte equiparou as relações entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis.

CONTADOR - BONUS

Os críticos do projeto, por sua vez, entendem que uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2011 ampliou o conceito de convivência familiar.

Representante da base do governo Lula (PT) na comissão, a deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que o projeto fere princípios constitucionais.

"Essa é uma matéria que fere o direito à intimidade, que fere o princípio da não discriminação, o direito à construção de relações familiares que assegurem a felicidade e o próprio afeto. Esta matéria fere direitos fundamentais, que são o direito à felicidade, à afetividade, o direito, inclusive, a usufruir de um patrimônio construído coletivamente", disse a parlamentar.

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