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Projeto que classifica facções como terroristas entra na pauta de comissão da Câmara

FolhaPress 03/11/2025 18:26

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O projeto de lei que equipara organizações criminosas a terroristas foi incluído na pauta de votações da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados desta terça-feira (4). A inclusão da proposta foi acelerada após a megaoperação que mirava o facção Comando Vermelho e deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O projeto, de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), amplia o alcance da Lei Antiterrorismo, passando a incluir organizações criminosas e milícias privadas. Ele é relatado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), mas há acordo para que ele seja substituído por Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), quando for ao plenário.

Na semana passada, Derrite se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do projeto. Ele afirmou, após o encontro, que a expectativa é votá-lo até o próximo dia 13.

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Partidos de esquerda se dizem contra a medida, afirmando que ela não contribui no combate às organizações criminosas. Na semana passada, integrantes do governo Lula (PT) também passaram a criticar o projeto, afirmando que ele traz riscos à soberania brasileira, abrindo espaço para intervenções estrangeiras no país.

"Governadores de extrema direita se reuniram para atacar o governo federal e defender a posição de Trump que qualifica o narcotráfico como terrorismo. Não é uma definição ingênua: é a base retórica que os EUA têm usado para justificar intervenção armada na América Latina", escreveu o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) nas redes sociais, na semana passada.

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O governo aposta na tramitação de outros dois projetos e cobra celeridade do Congresso na análise das propostas, a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública e o PL antifacção -esse segundo enviado à Câmara no fim da semana.

Apesar de o projeto que amplia o alcance da Lei Antiterrorismo ser criticado por governistas, parlamentares dizem que o texto tem apoio e deverá ser chancelado na comissão e, posteriormente, em plenário. Nesta terça, na sessão da CCJ, ainda é possível pedir vistas (mais tempo de análise) do projeto.

O presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA), afirmou que, diante do que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, cabe também ao Congresso atuar no combate ao crime organizado.

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"O Legislativo tem papel fundamental no processo de endurecimento das punições, a fim de dar uma resposta necessária à sociedade, que clama por segurança. Com este projeto, a motivação será ampliada, passando a tipificar também como terrorismo as ações criminosas praticadas por domínio territorial ou retaliação a políticas públicas, quando resultarem em terror social ou ameaça à ordem pública", afirmou, em nota.

O relatório de Derrite ainda não foi disponibilizado. Na prática, tipificar uma conduta como terrorismo pressupõe um regime penal mais severo, com penas mais elevadas, além de passar a competência de investigação para a Polícia Federal, não mais as polícias estaduais.

No projeto original, Forte destacou a possibilidade de uso de instrumentos especiais de combate ao terrorismo, como cooperação internacional, bloqueio de bens, sigilo de comunicações e infiltração de agentes.

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