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Produção de inquéritos policiais cai em oito estados em um ano, aponta levantamento

FolhaPress 27/02/2024 17:47

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As polícias civis de sete estados e do Distrito Federal tiveram queda na quantidade de inquéritos relatados em 2022 na comparação com 2021.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Entre as 23 unidades federativas que informaram os dados estão São Paulo e Rio de Janeiro. As polícias desses dois estados também estão na dianteira --atrás apenas de Rondônia-- com as maiores reduções de efetivos entre 2013 e 2023, o que indica problemas na capacidade de investigação.

É o que apontam dados do Raio-x das Forças de Segurança Pública no Brasil, divulgados nesta terça-feira (27) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As informações sobre os inquéritos relatados foram enviadas pelas polícias civis nos estados, e os dados de 2022 são os mais recentes disponíveis.

A diminuição no número de agentes chegou a 25,3% no RJ e a 19,5% em SP entre 2013 e o ano passado. As unidades ficam atrás apenas de Rondônia, que perdeu um terço dos agentes em 2014, dado mais recente informado.

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No total, a redução no período foi de 2%. Ao todo, entre o número previsto e o existente nos efetivos, as polícias civis trabalham com 55 mil agentes a menos, com 95,9 mil policiais investigando crimes e produzindo inquéritos e indiciamentos.

Já a produção do trabalho de investigação cresceu 54,6% na comparação entre 2021 e 2022, com 1.831.630 inquéritos relatados no ano retrasado, o que indica que agentes estão se "desdobrando", de acordo com o Fórum.

Para Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente da organização, a defasagem em efetivos causa sensação de insegurança. Esta, por sua vez, tem sido capturada por agentes políticos.

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"Se você não tem esclarecimento de crimes, as pessoas ficam inseguras, com medo. Isso abre margem para saídas populistas como 'bandido bom é bandido morto' ou 'vamos contratar tantos mil policiais'."

Por outro lado, bancar um sistema de investigação, com policiais, peritos, equipamentos e tecnologia é caro. O que costuma ganhar apoio e simpatia, para Lima, é a visibilidade, traduzida em policiamento ostensivo na rua.

Segundo o Fórum, quase metade (47,2%) dos 41 milhões de boletins de ocorrência registrados em todo o país em 2022 era de natureza criminal --o que exige o trabalho de investigação da Polícia Civil.

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Considerando apenas os 59.246 inquéritos de homicídio de 2022, as polícias civis relataram 19.079 desses procedimentos com indiciamento e 16.626 sem apontar responsáveis. Assim, segundo o Fórum, 23.541 entraram no estoque daquele ano.

"A gente vê, no fundo, um sucateamento das polícias civis. Não só pela questão dos postos, mas pelo envelhecimento dos efetivos e pela falta de realização de concursos."

No Brasil, quase um terço (32,6%) dos policiais civis tem de 11 a 20 anos de serviço. Aqueles com menos de um ano chegam a 3,1%. Considerando apenas investigadores, as parcelas nessas faixas são, respectivamente, 25,2% e 0,7% dos servidores.

A publicação também aponta a falta de critérios nas leis dos estados e do DF sobre a periodicidade e a obrigação para reposição dos quadros --o que também acontece com outras forças, como as polícias militares e penais e as perícias.

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