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Procuradoria pede suspensão de projeto de crédito de carbono do Amazonas

FolhaPress 17/10/2025 20:06

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O MPF (Ministério Público Federal) pediu a suspensão do projeto de geração de créditos de carbono criado pelo Governo do Amazonas. O programa da gestão Wilson Lima (União) abrange unidades de conservação no estado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nos locais, vivem povos indígenas e comunidades tradicionais que não foram ouvidas sobre a iniciativa, afirma a Procuradoria.

O programa foi lançado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (Sema) e é do tipo Redd+ (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), que gera créditos quando a destruição florestal é contida.

O Governo do Amazonas, por sua vez, afirma que tem cumprido todos os requisitos prévios aos projetos e que nenhuma iniciativa foi ou será implementada sem a efetiva consulta e aprovação das comunidades. .

A Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) determina que as comunidades tradicionais afetadas por qualquer projeto precisam ser consultadas. O Brasil é signatário da convenção, ou seja, ela também é obrigatória em território nacional.

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O MPF afirma que lideranças das UCs (unidades de conservação) estaduais do Amazonas relataram que além de não ter ocorrido consulta, as populações não receberam informações sobre o projeto.

MPF pediu a suspensão de todos os atos administrativos em andamento pela Sema e pelas empresas já selecionadas. Além disso, o órgão pediu a suspensão do edital lançado com a escolha das empresas, impedindo que elas tenham acesso às comunidades.

"A existência do projeto viola os direitos de consulta de povos indígenas e comunidades tradicionais ao não expor as informações com transparência e clareza. O esclarecimento devido também é um direito dos povos indígenas e tradicionais para a efetiva realização dos procedimentos de consulta", diz nota do órgão.

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O Redd+ é uma das possibilidades, entre outras, dentro do mercado de carbono. Esse mecanismo é uma tentativa, através de incentivos econômicos, de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente, as que têm origem no desmatamento.

Em 2023, a Sema lançou o primeiro edital para recebimento de propostas na modalidade de Redd+. A ideia, segundo o governo amazonense, era incentivar a geração de créditos de carbono decorrentes da execução dos projetos e ampliar a captação de recursos para desenvolver as UCs.

Ao todo, foram enviadas à Sema 57 propostas, das quais 21 atenderam aos critérios de qualificação e habilitação técnica, ainda de acordo com o governo. Os projetos têm estimativa de gerar mais de 163 milhões de toneladas de carbono equivalente (tCO2e) em créditos, ao longo de 30 anos, beneficiando diretamente 8.050 famílias, em 483 comunidades.

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De acordo com o informações publicadas pela própria Sema, em março de 2024 começaram a ser aprovadas as propostas de Redd+ em unidades de conservação, sendo as primeiras contempladas as Reservas de Desenvolvimento Sustentável do Juma e do rio Negro.

Em nota, o Governo do Amazonas frisa que não há quaisquer projetos de carbono estaduais iniciados ou em andamento em nenhuma das 21 unidades de conservação estaduais aptas a receber as iniciativas.

"A Sema realizou consulta às lideranças de Unidades de Conservação, de novembro de 2024 a janeiro de 2025, e, a partir de novembro deste ano, iniciará as primeiras consultas às comunidades in loco, começando pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma. Só depois desta fase, e com aval das comunidades, os projetos poderão ser implementados".

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