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Primeiro-ministro do Reino Unido não deve ir à COP30, diz jornal

FolhaPress 25/09/2025 20:02

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, não tem planos de ir à COP30, que será realizada em novembro em Belém. A informação é do jornal Financial Times, que revela ainda uma disputa interna no Partido Trabalhista britânico em torno do tema.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Se a ausência for confirmada, será mais um revés para a etapa brasileira da conferência do clima, descrita como um pesadelo logístico na imprensa internacional e marcada, até aqui, por metas climáticas pouco ambiciosas a despeito da evidente emergência climática no planeta.

A ausência não se explica pela falta de estrutura de Belém ou os preços estratosféricos dos hotéis, que habitam as manchetes europeias há meses. Segundo a reportagem do jornal econômico, reflete antes uma disputa entre os líderes do partido de Starmer, divididos entre a agenda ambiental, bandeira trabalhista, e a ascensão da extrema direita no país.

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Pesquisas de opinião colocam o Reform UK, do populista Nigel Farage, à frente nos levantamentos eleitorais, pressionando Starmer em aspectos específicos de seu governo, notadamente imigração, transição energética e mudança climática.

De um lado, uma ala pragmática do partido defende que o premiê precisa se concentrar na política local; já os defensores da presença de Starmer no encontro de líderes em Belém, no começo de novembro, percebem sua ausência como um fiasco internacional.

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Starmer, ainda na oposição, foi um dos mais ferozes críticos de seu antecessor, Rishi Sunak, quando o conservador pulou a COP27, no Egito, em 2022. Outro aspecto desabonador para Starmer, que compareceu à COP29 no Azerbaijão, no ano passado, seria ter a sua ausência no evento brasileiro associada à aproximação com Donald Trump.

Na semana passada, o presidente americano foi recebido em visita oficial no Reino Unido. Na última terça-feira (23), em discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que a mudança climática provocada pela queima de combustíveis fósseis era "a maior enganação da história" e que os europeus "estão indo para o inferno" com sua agenda ambiental e imigratória.

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Desde que voltou à Casa Branca, no começo deste ano, Trump tem se dedicado não apenas ao desmonte da política ambiental americana, mas também à pressão, quando não bullying, para que outros países retomem o curso dos combustíveis fósseis. Um exemplo claro da ofensiva é o acordo que os EUA obtiveram com a União Europeia: o bloco concordou com uma promessa de compra de US$ 750 bilhões (R$ 3,96 trilhões) de petróleo e gás americano em troca de alívio nas tarifas de exportação.

Belém já lida com ausências anunciadas e delegações enxutas, assim como pressão para que parte dos eventos seja realizada em cidades como São Paulo e Rio, com muita mais estrutura. O ministro Rui Costa, da Casa Civil, afirmou nesta semana que o governo federal vai entrar na Justiça contra hotéis da capital paraense devido aos preços abusivos.

Ao Financial Times, Downing Street afirmou que Starmer ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a viagem, mas reconheceu que alguns assessores eram contra sua participação.

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