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Primeiro dia do Favela Gastronômica reúne centenas de pessoas na zona norte do Rio

FolhaPress 12/04/2025 20:35

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O primeiro dia da segunda edição do Favela Gastronômica reuniu centenas de pessoas na praça de Inhaúma, na zona norte do Rio de Janeiro, neste sábado (12). O evento levou ao público pratos de chefs e empreendedores do ramo alimentício que moram ou têm restaurantes em comunidades da cidade. A feira, que conta com samba em apresentações ao vivo, continua no domingo (13).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Às 11h, logo no início da feira, Ivanete Pereira, 68, já estava marcando presença na barraca de Açaí da Lili, a empreendedora Leilane de Freitas, que fundou a marca há cinco anos.

"Já quero voltar amanhã. Tem bastante comida e estou encontrando um monte de amigas", disse a aposentada que mora no Complexo do Alemão, na região do Campo do Sargento.

A operadora de caixa Gilmara Gomes, 41, é uma das amigas que Ivanete encontrou. Ela, que também ainda não conhecia o evento, ficou surpresa com a estrutura e a quantidade de pessoas que estavam no local desde cedo.

"É muito importante ter espaços como esse para a integração da comunidade, principalmente para a geração mais jovem, tendo acesso ao que o empreendedorismo pode nos levar", afirmou Gilmara.

SESC PICASSO

"Meu sonho é fazer gastronomia, então quem sabe nas próximas edições eu não possa ser uma das empreendedoras", relata a moradora da Fazendinha.

O Dj Rafael Bael foi quem começou o agito do som. Em seguida, o cantor e compositor Xandd Black se apresentou, fazendo o público cantar clássicos do samba e do pagode.

A pequena Isabelly de Carvalho,7, já entrou na praça acompanhada do pai fazendo vídeos para as redes sociais para chamar os amigos e a família.

"Fiz surpresa para ela não ficar ansiosa, agora está toda animada. Isso aqui é ótimo para a nossa comunidade", disse o vigilante Emmanuel de Carvalho, 41. Os dois moram em Nova Brasília.

E não foram só os moradores do Complexo que tiraram o sábado para curtir o Favela Gastronômica. Djamila Santana, 35, levou os pais Vânia Xavier, 64, e Dailton Santana, 67, para almoçarem com ela.

"Viemos do Irajá [na zona norte] para aproveitar o dia aqui em Inhaúma. Vimos a divulgação do evento e ficamos animados, está uma delícia a comida", contou a advogada.

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Além das barracas de comida, vendidas por até R$ 20, a feira conta com o espaço do Cozinha Show com palestras e oficinas de culinária.

Neste sábado, as apresentações começaram com a chef Kátia Barbosa cozinhando um "arroz Maria Isabel", à base de carne de sol e abóbora.

O evento também dispõe de diferentes ações espalhadas pela praça, comdistribuição de brindes como boné, camiseta, talheres, vale-sobremesa e comida para serem consumidas na própria feira. As crianças podem aproveitar o espaço kids com camas elásticas. No local, alguns espaços "instagramáveis" são reservados para fotos.

Para Daniella Fonseca, moradora da região da Alvorada, a participação na feira está sendo um desafio. "Larguei a vida de comerciante e comecei a empreender há quatro meses, quando abri o restaurante Tempero de Vó lá na comunidade. Estou aqui com a cara e a coragem, mas confiante de que vai dar tudo certo", conta a nova empreendedora, que levou os filhos e a nora para ajudarem nas vendas.

Já Raphael Rezende, morador do Morro do Adeus, que está participando do evento pela segunda vez, não se imagina fazendo outra coisa.

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"Sempre fui empreendedor, mas com a minha hamburgueria estou trabalhando há cinco anos. Antes eu trabalhava como ambulante nas praias, agora não quero mais largar a vida de culinária. O evento é muita correria, no primeiro fiquei super nervoso, mas já estamos mais acostumados com o número de pessoas. Termos de aproveitar a visibilidade e a oportunidade", afirmou.

Neste domingo, o Favela Gastronômica continua a partir das 11h até às 19h. A entrada é gratuita e as atrações serão Marquinhos Sensação e Renan Oliveira. A edição deste ano contou com 20 empreendedores.

"Criar o Favela Gastronômica foi um passo importante para mostrar que a favela também é potência quando o assunto é cultura, comida e inovação", afirma Rene Silva, idealizador do Favela Gastronômica e fundador do Voz das Comunidades.

"Pensar esse evento a partir do nosso território, com a nossa linguagem e nossos sabores, é afirmar que a gastronomia também é uma ferramenta de transformação social. Este ano conseguimos dobrar a estrutura da edição anterior e a expectativa é que a próxima seja ainda maior."

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