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Primeira noite de desfiles de Carnaval em SP cultua raízes da África e da terra

FolhaPress 08/02/2024 08:41

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Saudações, é Carnaval. Com um aceno às raízes africanas, a Camisa Verde e Branco abre nesta sexta-feira (9) a primeira noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo. É o retorno da escola da Barra Funda (zona oeste), vice-campeã do Grupo de Acesso em 2023. A agremiação volta à elite do samba 12 anos depois.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ao todo, 14 escolas disputam no Grupo Especial do Carnaval paulistano. Sete delas se apresentam a partir das 23h15 desta sexta até o nascer do sol no dia seguinte. O restante desfila na noite de sábado (10) e madrugada de domingo (11).

As duas agremiações com as piores notas nas duas noites, em apuração a ser realizada a partir das 16h de terça-feira (13), serão rebaixadas, assim como subirão as duas melhores do Grupo de Acesso, que desfilam na noite de domingo.

Das sete escolas que se apresentam nesta sexta, três exaltam a África em seus temas. Uma delas é a própria Camisa Verde e Branco, com "Adenla, o imperador nas terras do rei".

"A Mocidade Verde e Branco vem saudar suas raízes, reafirmar-se como tradicional e legítimo território negro", diz a escola sobre seu enredo que homenageia o orixá Oxóssi, o rei das matas e "patrono espiritual" da agremiação, que afirma pagar uma promessa pelo acesso ao Grupo Especial.

O enredo também vai homenagear o ex-atacante Adriano, como símbolo de vitória e resistência negra. O goleador, que brilhou com a camisa da seleção brasileira e de clubes como Flamengo, São Paulo, Corinthians e Inter de Milão (Ita), é chamado de Imperador.

Outras duas escolas que enfatizam o continente africano, suas origens e histórias, são nascidas de torcidas organizadas do São Paulo Futebol Clube, a Dragões da Real e a Independente, que, curiosamente, desfilam na sequência —serão a terceira e a quarta a entrarem no sambódromo nesta sexta.

SESC PICASSO

"Nosso enredo tem uma carga de reparação histórica", diz Márcio Santana, diretor de Carnaval da Dragões da Real sobre o tema "África, uma constelação de reis e rainhas". "Pretendemos resgatar o passado triunfante de um continente que é colocado em segundo plano nas histórias da humanidade", acrescenta.

Em um desfile atemporal, a Dragões da Real busca enfatizar realezas africanas a partir do rei Mansa Musa, considerado o homem mais rico da história.

No terceiro carro, a escola homenageia Cleópatra (69-30 a.C.) com a promessa de grandiosidade. "A gente vai mostrá-la como um poder que foi muito além da sedução [uma das ditas características da rainha egípcia]."

A Independente desfila depois com "Agojie, a lâmina da liberdade". "O continente africano é personificado na figura de uma mãe, provedora de nossa origem", diz a escola, que no ano passado terminou na sétima colocação.

Também nascida de torcida organizada de time de futebol, a palmeirense Mancha Verde tem a agricultura como tema do desfile. E quer mandar um recado para a sociedade globalizada e o descaso com as mudanças climáticas.

"Do nosso solo para o mundo: o campo que preserva, o campo que produz, o campo que alimenta", é o enredo da escola, a penúltima a entrar no sambódromo, às 4h40.

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"Plantar é um exercício de fé, porque o agricultor não tem certeza de que vai colher", afirma o carnavalesco André Machado.

Em seu terceiro setor no desfile, a escola vai ressaltar a agricultura familiar e o quanto é importante a preservar a natureza para perpetuar a vida na terra. "É para a gente pensar no meio ambiente, para as futuras gerações terem o que plantar e comer", afirma.

Falar dos recursos naturais não é inédito nos enredos da escola. Em 2022, a Mancha Verde foi campeã com o tema "Planeta Água".

No ano passado, a agremiação que cantou o xaxado do Nordeste terminou na segunda colocação, com um décimo a menos na classificação geral que a campeã Mocidade Alegre —o segundo lugar foi dividido ainda com Império de Casa Verde e Acadêmicos do Tatuapé.

A madrugada no Anhembi também será de homenagens. Na primeira delas, a Barroca Zona Sul vai celebrar seus 50 anos.

"Nós nascemos e crescemos no meio de gente bamba. Por isso que nós somos a faculdade do samba", diz a agremiação verde e rosa da Vila do Encontro, zona sul da cidade.

A Acadêmicos do Tatuapé, da zona leste, que em 2023 levou as belezas de Paraty (RJ) para o sambódromo, subiu o litoral e agora vai falar da badalada Mata de São João, cidade da região metropolitana de Salvador rotulada como joia da Bahia no samba-enredo da escola.

No fechamento da noite, a Rosas de Ouro, escola da região da Freguesia do Ó, na zona norte, vai comemorar os 70 anos do parque Ibirapuera, que serão celebrados em agosto deste ano.

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Com "Ibira 70", a Rosas de Ouro busca se reencontrar com uma fórmula do passado, quando falou sobre a São Paulo nos anos 1980, para dar a volta por cima —12ª colocada em 2023, não foi rebaixada por uma diferença de 0,1 ponto para a Unidos de Vila Maria, que caiu para o Grupo de Acesso.

"Nós vamos ser a sétima [a desfilar], já vai estar amanhecendo, e faremos uma alusão aos portões [do Ibirapuera] que se abrem", afirma Angelina Basílio, presidente da escola, sobre a evolução da escola que contará a história, a cultura e a riqueza ambiental do parque da zona sul, onde a agremiação chegou a se apresentar durante a preparação para o Carnaval.

"Nossa bateria vem com ritmo cheio de pressão. Vamos fechar a noite de sexta com chave de ouro e levantar o Anhembi", promete a rainha Ana Beatriz Godói.

Para evitar o desespero e o flerte com o rebaixamento do ano passado, a Rosas de Ouro procurou fortalecer todos os seus segmentos. Os diretores de ala passaram por treinamentos, e Dante Baptista, que voltou à escola para dirigir a harmonia, fez palestras motivacionais.

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VEJA A ORDEM DOS DESFILES DO GRUPO ESPECIAL DE SP

Sambódromo do Anhembi

Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, zona norte de São Paulo.

Os ingressos de arquibancada estão esgotados.

Sexta-feira (9)

21h00 – Desfile das velhas-guardas de São Paulo

23h15 – Camisa Verde e Branco

00h20 – Barroca Zona Sul

01h25 – Dragões da Real

02h30 – Independente

03h35 – Acadêmicos do Tatuapé

04h40 – Mancha Verde

05h45 – Rosas de Ouro

Sábado (10)

20h30 – Afoxé Filhos da Coroa de Dadá

22h30 – Vai-Vai

23h35 – Tom Maior

00h40 – Mocidade Alegre

01h45 – Gaviões da Fiel

02h50 – Águia de Ouro

03h55 – Império de Casa Verde

05h00 – Acadêmicos do Tucuruvi

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