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Prefeitura derruba barracos no Jardim Pantanal e grupo reclama de remoção forçada

FolhaPress 05/08/2025 14:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Funcionários da Prefeitura de São Paulo derrubaram barracos nesta segunda-feira (5) na região da zona leste da capital conhecida como Jardim Pantanal. A área onde enchentes são frequentes fica na várzea do rio Tietê e passa por um crescente processo de ocupação por famílias pobres há mais de quatro décadas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Moradores registraram em vídeo algumas casas destruídas na ação. A imagem mostra uma mobilização para impedir supostas novas demolições de casas, já demarcadas pela prefeitura. Segundo os moradores, as construções destruídas eram novas e ainda não estavam ocupadas.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em nota, que quatro barracos desabitados foram demolidos porque foram erguidos após o cadastramento das famílias residentes. "Não há qualquer despejo", diz a nota.

Após graves enchentes no início deste ano, a prefeitura anunciou, em maio, a remoção de mais de 4.000 moradias na região. Na ocasião, Nunes afirmou que pretendia delimitar a área para não permitir a ampliação das ocupações.

O anúncio sobre a remoção, feito ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), surpreendeu moradores que há anos discutiam projetos de urbanização da área com sucessivas gestões municipais.

SESC PICASSO

Um funcionário municipal que conversou com a reportagem disse que o anúncio pegou de surpresa até mesmo equipes da administração envolvidas no projeto de urbanização.

A Defensoria Pública do Estado também cobrou explicações sobre a remoção de famílias vulneráveis de uma área de ocupação consolidada e que atualmente é provida de serviços públicos como água, esgoto e energia elétrica.

Já as demolições desta segunda motivaram a divulgação de uma nota por uma uma frente de moradores da região. O grupo afirma que a ação pretende forçar remoções e é desleal, uma vez que havia compromisso público de não derrubar imóveis até que se chegasse a um acordo sobre o destino das famílias a serem reassentadas.

A prefeitura afirma que a Secretaria Municipal de Habitação garantirá atendimento a todas as famílias afetadas. Representantes dos moradores dizem, porém, que o município ainda não informou para quais imóveis nem sequer para quais regiões da cidade eles serão deslocados.

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Em nota, a gestão Nunes afirma que retirou nesta segunda-feira quatro barracos próximos ao leito do Tietê, construídos após cadastramento das famílias, onde está proibida qualquer ocupação desde então.

Segundo essa nota, a construções estavam desabitadas e foram demolidas pela Subprefeitura de São Miguel Paulista após fiscalização. "Não há qualquer despejo em curso e nenhuma remoção ocorre sem o aceite formal das famílias no Jardim Pantanal", diz a prefeitura, afirmando também que mantém plantão social no território e diálogo permanente com os moradores.

No anúncio feito em maio, a prefeitura informou que pretendia isolar a primeira área de intervenção —que é justamente onde ocorreram as demolições nesta segunda-feira– com um gabião, um tipo de muro de arrimo feito de malha de aço preenchida com pedras.

O muro de um metro de altura e 4,2 quilômetros de extensão começaria a ser construído no mês passado, mas isso não aconteceu. Esta primeira fase tem prazo estipulado até outubro do ano que vem e considera a remoção de mil imóveis.

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Na segunda fase, outros mil imóveis serão retirados, de novembro de 2026 até junho de 2028. A última etapa, que abrange 2.344 casas, tem previsão de ser iniciada em julho de 2028 e terminar em dezembro de 2029. O orçamento estimado para as três fases é de R$ 700 milhões.

Em fevereiro passado, ainda com a região sob os efeitos das enchentes do início do ano, a gestão Nunes disse que estudava outras opções para solucionar os alagamentos.

Uma delas era uma grande obra de drenagem (macrodrenagem), com a construção de um dique, sete reservatórios, um parque e um canal de 5,5 km para desviar a água da chuva. Isso implicaria remover 484 famílias e o conjunto de medidas custaria R$ 1,02 bilhão.

Outra opção contemplaria a construção de um canal, a abertura de lagoas de acumulação de águas, a reversão do fluxo do Tietê e desapropriações.

A alternativa era chamada de "ações intermunicipais integradas para o controle de inundações Cidade-Esponja Pantanal" e seria dividida com a cidade de Guarulhos. O investimento previsto era de R$ 1 bilhão, e nenhuma família precisaria ser removida.

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