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Polícia prende mãe e irmão de ex-sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta

FolhaPress 01/06/2024 15:59

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Amazonas prendeu nesta quinta-feira (30) quatro pessoas suspeitas de participarem de uma seita religiosa que seria responsável por distribuir e incentivar o uso ilegal da ketamina, droga sintética veterinária usada como anestesia em animais de grande porte.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Entre os presos estão Cleusimar Cardoso Rodrigues, 53, e Ademar Farias Cardoso Neto, 29, que são respectivamente mãe e o irmão de Dilemar Cardoso, 32, conhecida como Djidja Cardoso.

Responsável pela defesa de Ademar e Cleisimar, o advogado Vilson Benayon afirmou que vai pedir que mãe e filho passem por exame toxicológico e perícia médica para avaliar a saúde mental

"Vamos pedir fazer o incidente de insanidade mental, considerando que a mãe acredita ser Maria, e o filho acredita ser Jesus. É uma situação muito complicada e triste", afirmou.

O advogado ainda disse que ainda não teve acesso ao inquérito e criticou o que classificou como vazamento seletivo da investigação.

Em nota divulgada na quarta (29), antes das prisões, Ademar e Cleusimar informaram que a família estava consternada pela perda de Djidja e por ter que lidar com "notícias falsas e polêmicas" quanto à causa de sua morte.

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E informaram ainda que questionamentos sobre as circunstâncias que envolvem a morte de Djidja seriam esclarecidos perante as autoridades.

Djidja foi encontrada morta em casa na última terça-feira (28). Ela atuou entre 2016 e 2020 como a personagem sinhazinha do Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins. A apresentação é inspirada em um auto que fala da morte e da ressurreição de um boi que pertence a um fazendeiro rico.

Também foram presas Verônica da Costa Seixas, 30, e Claudiele Santos da Silva, 33. Ambas são funcionárias da Belle Femme, uma rede de salões de beleza de propriedade da família. A Justiça também decretou a prisão de Marlisson Vasconcelos Dantas, que está foragido.

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A reportagem não conseguiu identificar os responsáveis pelas defesas de Claudiele e Marlisson. Advogado de Verônica, Vilson Benayon disse que ainda não tem uma linha de defesa definida.

A polícia suspeita que a morte de Djidja tenha sido provocada por uma overdose de ketamina. Contudo, ainda não é possível afirmar se há correlação entre a atuação da seita e a morte da empresária. A confirmação do possível uso da droga será feita pelo Instituto Médico-Legal.

A Polícia Civil investigava havia cerca de 40 dias a existência de uma seita chamava Pai, Mãe e Vida, liderada pela família, e que estaria associada a suspeitas de casos de estupro e cárcere privado. Djidja Cardoso, Cleusimar Cardoso e Ademar Cardoso Neto estavam entre os investigados.

As investigações apontam que duas vítimas que teriam sido mantidas em cárcere privado, desnudas e privadas de higiene por vários dias. Uma delas, que estava grávida, teria sofrido um aborto.

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"A ketamina era usada por essa quadrilha para que as pessoas pudessem entrar em uma espécie de transe a fim de, segundo o que eles mesmo relataram, transcender a outra dimensão", afirmou em entrevista à imprensa o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia.

Os líderes da seita persuadiam os seguidores a acreditar que, ao usarem compulsivamente a ketamina, poderiam alcançar um plano superior, onde encontrariam a salvação.

Durante a operação realizada na tarde desta quinta (30), foram apreendidas centenas de seringas, produtos para acesso venoso, agulhas e ketamina, além de celulares, documentos e computadores. Também foi alvo de buscas uma clínica veterinária suspeita de fornecer a ketamina de forma ilegal.

Os presos são suspeitos de crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, falsificação, adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos e medicinais, aborto induzido sem o consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal.

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