Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h53m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Plano para adaptação da saúde às mudanças climáticas reúne primeiros apoios e verbas na COP30

FolhaPress 13/11/2025 19:01

BELÉM, PA E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 40 países já manifestaram apoio ao plano lançado pelo governo brasileiro com objetivo de promover a adaptação do setor de saúde às mudanças do clima. Esse é o primeiro documento internacional do tipo e propõe políticas públicas principalmente em relação às populações mais vulneráveis.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Plano de Ação de Belém para a Adaptação dos Setor de Saúde às Mudanças Climáticas, antecipado pela Folha de S.Paulo, foi discutido nesta quinta-feira (13) na COP30. Além das declarações de apoio, o plano já reuniu os primeiros recursos concretos para financiar as iniciativas propostas.

Cerca de US$ 300 milhões em financiamento foram anunciados por entidades como a Wellcome Trust, organização filantrópica dedicada à saúde. Além disso, sinalizaram apoio instituições como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco Mundial.

O relatório parte do diagnóstico que as mudanças climáticas já impõem pressão significativa sobre os sistemas de saúde e alteram de forma desproporcional países em desenvolvimento.

Fatores como eventos climáticos extremos, elevação do nível do mar e alterações nos padrões de chuva intensificam desigualdades e causam consequências como propagação de doenças sensíveis ao clima, mortalidade por calor extremo, deterioração da qualidade do ar e insegurança alimentar e hídrica.

SESC PICASSO

Relatório especial divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde nesta quinta aponta que mais de 540 mil pessoas morrem por calor extremo todos os anos e um em cada 12 hospitais do mundo está em risco de paralisação relacionada ao clima.

"A crise climática é uma crise de saúde; não em um futuro distante, mas aqui e agora", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em nota.

"Este relatório especial traz evidências sobre o impacto das mudanças climáticas sobre as pessoas e os sistemas de saúde, e exemplos concretos do que os países podem fazer e já estão fazendo para proteger a saúde e fortalecer seus sistemas."

A avaliação dos envolvidos é que destinar recursos suficientes à adaptação em saúde já protegeria bilhões de pessoas e manteria estruturas essenciais funcionando durante choques climáticos, justamente quando a população mais precisa delas.

CONTADOR - BONUS

A mensagem central do relatório é clara: já existem evidências mais do que suficientes para ampliar as ações, com intervenções custo-efetivas, mas as estratégias de adaptação podem fracassar se não abordarem as causas profundas da desigualdade em saúde.

O documento também convoca governos a integrar os objetivos de saúde às NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e aos Planos Nacionais de Adaptação (PNAs), além de aproveitar a economia financeira da descarbonização para financiar a adaptação em saúde e a capacitação da força de trabalho e investir em infraestrutura resiliente, priorizando unidades de saúde e serviços essenciais.

Para mitigar os problemas, o plano propõe, por exemplo, fortalecer sistemas de saúde integrados de vigilância e monitoramento. Além disso, implementar políticas e baseadas em evidências. Também sugere estimular a inovação e o desenvolvimento digital para o atendimento a comunidades remotas.

A meta é incluir o plano nos relatórios de progresso da COP. Até a edição 33 (em 2028), todas os países serão convidados a apresentar seus avanços na implementação das ações estabelecidas no plano.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o dia foi histórico por abordar pela primeira vez o tema da saúde em uma plenária da COP. "A crise climática é, antes de mais nada, pra humanidade, uma crise de saúde pública."

Anuncio - Raimundo - Bonus

Ele disse citou como exemplo concreto de consequência pelas mudanças climáticas a explosão de casos de dengue no estado de São Paulo e na capital paulista. Segundo ele, o aumento da temperatura gerou proliferação de mosquitos Aedes aegypti, que transmitem o vírus da doença.

"No fim dos anos 1990, não havia dengue na cidade de São Paulo, porque a temperatura média durante a madrugada impedia a multiplicação do mosquito. Menos de 15 anos depois, a capital teve seu maior surto e, neste ano, o estado de São Paulo concentra quase 80% das mortes por dengue no país", disse Padilha.

O ministro deu um exemplo prático da aplicação das diretrizes no plano ao afirmar que as unidades de saúde de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná_cidade destruída por um ciclone neste mês_vão ser reconstruídas com um novo padrão de infraestrutura, mais resiliente às mudanças climáticas.

"O Brasil vai adotar experiências que já aconteceram pela Organização Pan-Americana de Saúde na América Central, no México e no Haiti, de adaptar o padrão construtivo das unidades de saúde a um novo padrão de resiliência às mudanças climáticas."

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas