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Piloto buscou aeroporto menos movimentado após 3 tentativas de acionar trem de pouso em SP

FolhaPress 30/05/2025 19:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A comandante Nayane Porto afirmou ter acionado três vezes o trem de pouso durante tentativas de descer no aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, até decidir mudar o procedimento e aterrissar em Jundiaí, a cerca de 60 km da capital paulista, no inicio da noite da quinta-feira (29).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Por causa da suspeita de pane, o avião sobrevou a região do Campo de Marte por cerca de 40 minutos. A aeronave prefixo PT-LHZ, modelo King Air Beechcraft E90, que decolou de Goiás, apresentava problemas no sensor do trem de pouso, por isso, não conseguia concluir a descida.

O helicóptero águia da PM foi acionado para acompanhar o caso (e o avião até Jundiaí), assim como o Corpo de Bombeiros.

O avião levava cinco pessoas, sendo piloto, copiloto e três passageiros. Entre eles, estava a apresentadora de TV Lívia Andrade, 41.

Em sua conta no Instagram, a comandante afirmou em uma nota de esclarecimento que decolou de Goiânia e desceu em Pires do Rio (GO), onde buscou os passageiros, e seguiu para São Paulo.

Já na fase de aproximação do aeroporto Campo de Marte, teve uma falha na indicação do abaixamento do trem de pouso.

SESC PICASSO

"Com isso, tentamos repetir o procedimento normal por mais 2 vezes e, além disso, fizemos passagens baixas sobre a pista para que a torre pudesse nos ajudar verificando visualmente quanto ao abaixamento do trem de pouso", escreveu ela.

O canal Aeroescuta, que monitora a comunicação entre aeroportos e os aviões, publicou um áudio em que um controlador de voo pergunta a um piloto de helicóptero se ele conseguia observar o trem de pouso do avião que fazia as passagens baixas. "Bem difícil de ver", respondeu.

Na sequência, a comandante do King Air perguntou se a torre havia conseguido verificar. O operador afirmou não ter conseguido com clareza e justificou pelo fato de ser noite. "A luz acendeu aqui,, mas ele não deu a transmissão baixando", prosseguiu a piloto.

Ela pediu novamente para verificar o trem de pouso e o controlador questionou se ele estava recolhido. "Negativo", disse a piloto. "Negativo, está embaixo", afirmou uma voz masculina, possivelmente do copiloto Neto Lima.

CONTADOR - BONUS

O controlador disse ter usado farol de busca e ficado com a impressão de que estava recolhido. E pediu nova conferência.

"Uma vez constatado que não tínhamos indicação utilizando o sistema primário, decidimos efetuar o procedimento secundário [manual] de abaixamento do trem de pouso, conforme previsto em manual, e check list da aeronave", explicou a piloto Nayne, no comunicado publicado nesta sexta-feira (30).

Ela contou ter decidido alternar o pouso para o aeroporto de Jundiaí por possuir pista melhor e também menor fluxo de tráfego aéreo.

Com 1.800 metros, a pista do aeroporto do interior paulista tem 200 metros a mais de extensão em relação à do Campo de Marte (1.600 metros).

Um outro áudio captado mostra que a torre do Campo de Marte informou que Jundiaí operava apenas via rádio e questionou se ela iria continuar. A comandante disse estar ciente e que iria continuar.

"Ao realizarmos o procedimento secundário de abaixamento do trem de pouso, obtivemos a indicação de trem de pouso baixado e travado [luzes verdes de confirmação]. Com isso, prosseguimos para um pouso normal e seguro", escreveu ela.

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O avião pousou normalmente em Jundiaí pouco depois das 19h35, com o trem de pouso baixado. De acordo com funcionários do aeroporto, a comandante foi aplaudida.

A Folha tentou contato via mensagem com com a piloto para que detalhasse os momentos finais da operação, mas ela não respondeu.

Segundo a Rede VOA, concessionária que administra o aeroporto, não houve necessidade da atuação da equipe de emergência, composta por Corpo de Bombeiros, Samu, Defesa Civil, Guarda Municipal, Polícia Militar e funcionários da empresa.

Na nota de esclarecimento, Nayane disse que a manutenção do avião está com manutenção em dia, assim como a tripulação, habilitada. "Eventos como esse podem acontecer."

Fabricado em 1975, o turbohélice, registrado em nome de Agropecuária Santa Felicidade, de Goiás, estava com sua situação de aeronavegabilidade normal, mas tem operação negada para táxi aéreo, segundo Registro Aeronáutico Brasileiro.

A reportagem ligou para a empresa para saber a situação do avião na noite desta sexta, mas ninguém atendeu. Segundo a Rede Voa, ele continua no aeroporto de Jundiaí.

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