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Pianista Erroll Garner, um dos maiores do jazz, tem filme no festival In-Edit

FolhaPress 11/06/2024 11:57

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Quando o cineasta João Moreira Salles perguntou ao pianista Nelson Freire se tinha alguma frustração, o músico respondeu: "Eu tenho uma inveja incrível de quem sabe tocar jazz".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Uma coisa que eu adoraria seria chegar assim e, de repente, improvisar. Eu tenho fascinação pelo Erroll Garner."

No documentário "Nelson Freire", de 2003, dirigido por Salles, o pianista aparece sentado no sofá, assistindo, embevecido, a uma antiga apresentação de Garner na TV. "Eu nunca vi ninguém tocar com tanto prazer. Ele tinha a alegria de tocar", disse Freire.

A alegria que Freire sentia com a música de Erroll Garner é uma sensação constante ao assistir a "Misty – The Erroll Garner Story", documentário dirigido pelo francês Georges Gachot sobre o icônico pianista norte-americano Erroll Garner (1921-1977).

O filme será exibido no Cinesesc, em São Paulo, dentro do festival de documentários musicais In-Edit, no próximo sábado (15), dia em que Garner completaria 103 anos. A sessão terá a presença do diretor, Georges Gachot, e do escritor e biógrafo James M. Doran, autor do livro "The Most Happy Piano", ou o piano mais feliz, que serviu de base para o documentário. Uma segunda sessão acontece na Cinemateca Brasileira, na quinta (20), às 18h.

SESC PICASSO

O título do documentário cita "Misty", um "standard" do jazz e certamente a canção mais popular escrita por Garner. Diferentemente de muitos artistas famosos do jazz que sofreram durante a carreira com a falta de reconhecimento do público, Garner sempre fez sucesso de crítica e venda. Seus discos vendiam muito e ele foi, durante muito tempo, um dos jazzistas mais bem pagos do mundo.

Garner era um tipo peculiar —baixinho, com 1,57 metro, autodidata e improvisador. Foi o caçula de seis filhos de uma família pobre de Pittsburgh, no estado da Pensilvânia, e aprendeu piano sozinho. Numa antiga entrevista mostrada no filme, Garner conta que um professor de piano foi à casa da família dar aula para um irmão. O pequeno Erroll ouviu a aula e imediatamente começou a tocar.

Garner nunca aprendeu a ler partituras e se dizia pouco preocupado com a técnica. Seu negócio era o sentimento que a música transmitia. Recusava-se a ensaiar com seus grupos. Nos shows, não havia repertório definido. Ele sentava ao piano e começava a tocar o que lhe dava na telha.

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"No início era bem assustador", diz no filme um contrabaixista que tocou por anos com Garner. "A gente tinha de ficar de olho nele e sair correndo atrás. Com o tempo, nos acostumamos." A obsessão pelo improviso era tamanha que Erroll Garner não definia anteriormente o repertório sequer na gravação de seus discos. "Houve uma sessão em que Erroll gravou o suficiente para três LPs inteiros", diz uma antiga namorada.

Georges Gachot diz que conheceu a música de Garner quando era criança e começou a aprender piano. "Meu irmão Pierre e eu éramos loucos pelos discos de Garner", conta o cineasta, que dedicou o filme ao irmão. Para Gachot, Garner representa a total liberdade criativa do jazz.

"Ele era um artista que botava todo o sentimento, tudo que pensava, em sua música", diz Gachot. "Ele não era um artista que revelava muito em entrevistas, mas quem ouvia seus concertos percebia o que ele estava sentindo".

Há uma reveladora entrevista de Garner no filme em que o apresentador pergunta se ele havia sofrido, na carreira, algum tipo de racismo, e Garner diz que não. A declaração de Garner é contestada por vários depoimentos de parceiros e familiares, que relatam inúmeros casos em que o artista teria sido vítima de preconceitos.

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"Quando você queria saber como Erroll estava se sentindo, era só ouvir a maneira como ele tocava em determinada noite. Havia noites em que ele estava muito feliz e outras em que você sentia a melancolia saindo de dentro dele", diz um músico.

Gachot é um obcecado por música brasileira que já fez filmes sobre Maria Bethânia, Nana Caymmi e João Gilberto, mas diz que "já pode morrer" depois de terminar um filme sobre Garner, seu grande ídolo.

E depois de Garner, será que Gachot não pensa em filmar a vida de outro artista brasileiro? "Eu adoraria fazer algo com o Djavan, amo a música dele. Vou a Belo Horizonte ver um show de Djavan e espero que algo bom aconteça."

MISTY - THE ERROLL GARNER STORY

Quando Sáb. (15), às 18h, no Cinesesc; Qui. (20), às 18h, na Cinemateca Brasileira

Onde Cineses - r. Augusta, 2075, São Paulo. Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso, 207, São Paulo

Preço R$ 10 no Cinesesc; grátis na Cinemateca Brasileira

Link: https://br.in-edit.org/filmes/misty-the-erroll-garner-story/

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