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Pesquisadora da USP de Ribeirão recebe prêmio internacional para jovens cientistas

FolhaPress 10/01/2025 12:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde criança, o interesse na ciência permeia a trajetória da enfermeira Fabiana Maria das Graças Corsi Zuelli, 34. Seu pai, que é biomédico, frequentemente a levava ao local de trabalho dele, onde surgiu o fascínio da filha por microscópios e outros instrumentos de laboratório.

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Por isso mesmo, o reconhecimento pela Usern (Rede de Pesquisa e Educação Científica Universal), no último mês de novembro, de ser uma das mais influentes cientistas jovens internacionais na área de ciências médicas —e, até o momento, a única brasileira a receber tal láurea— foi uma alegria.

"Foi uma surpresa, com certeza. Todo pesquisador quer ter o reconhecimento do seu trabalho e a valorização da sua trajetória, então foi uma alegria muito grande", disse Zuelli à Folha de S.Paulo. "Mas esse prêmio é também um reconhecimento da nossa equipe de pesquisa e colaboradores na FMRP [Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP]."

O prêmio da Usern reconhece cientistas em início de carreira que se destacam por suas contribuições científicas e humanitárias. Os vencedores são escolhidos a partir de indicações por um conselho com mais de 600 cientistas incluídos no 1% de maior destaque global, incluindo 20 ganhadores de Prêmios Nobel e Abel.

Além de Zuelli, foram laureados na última edição Andrea Luppi (Reino Unido), em ciências formais; Dongliang Chao (Hong Kong), em ciências físicas e químicas; Tiziana Cappello (Itália), em ciências biológicas; e Ewa Szumowska (Polônia), em ciências sociais.

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Moradora de Ribeirão Preto (a 313 km da cidade de São Paulo), Zuelli cursou o ensino básico em escolas públicas. Em casa, diz, sempre recebeu o apoio dos pais para cursar a universidade. E, aos 18 anos, passou no vestibular para o curso de bacharelado e licenciatura de enfermagem na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP (EERP-USP).

Mais tarde, iniciou um projeto de iniciação científica, com apoio do CNPq, na área de enfermagem psiquiátrica. Foi lá que teve o primeiro contato formal com o tema de saúde mental. Também foi bolsista de outros projetos de iniciação científica na FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão.

Realizou dois estágios no exterior durante a graduação. Após se formar, integrou uma equipe no Crid (Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias), apoiado pela Fapesp, onde começou a investigar com mais profundidade os efeitos ambientais e imunológicos em pacientes com um episódio inicial de psicose comparados aos irmãos não afetados pela doença e grupos controles.

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O estudo de Zuelli faz parte de um consórcio multicêntrico internacional que engloba 17 centros de seis países, sendo o Crid de Ribeirão Preto o único no Brasil e fora da Europa.

No período de quase dez anos (de 2016 a 2024), suas pesquisas de mestrado e doutorado foram inovadoras no sentido de mostrar, pela primeira vez, uma conexão maior entre o sistema imunológico, particularmente de resposta inflamatória, e fatores ambientais de risco modificáveis que contribuem para o ocorrência dos transtornos psicóticos.

"Nós evidenciamos um aumento da concentração de marcadores inflamatórios no sangue [como citocinas] em pacientes em um primeiro episódio psicótico. Também observamos que esses indivíduos passaram por traumas na infância e eram mais propensos a essas alterações inflamatórias. Outro trabalho que realizei também mostrou que esses indivíduos com alterações eram mais vulneráveis aos efeitos negativos da maconha", diz a pesquisadora.

Basicamente, esses fatores produzem respostas inflamatórias no organismo que podem servir de gatilho para os surtos em pacientes que não tinham doenças secundárias ou então outros transtornos psiquiátricos associados.

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Suas pesquisas são, em geral, pré-clínicas (isto é, com modelos em laboratório), mas houve também coleta de informações a partir de pacientes atendidos no centro psiquiátrico em Ribeirão Preto do município e outras 25 cidades da região.

No pós-doutorado, cujo início é no próximo dia 22 na Universidade de Oxford (Reino Unido) —para o qual as malas não estão feitas ainda—, ela espera dar continuidade aos ensaios clínicos que tenham como alvo o sistema imune e a resposta inflamatória e os efeitos na psiquiatria.

Zuelli foi premiada pelo conjunto de publicações sobre os mecanismos imunológicos nas psicoses –foram 29 durante o mestrado e doutorado só na área de imunopsiquiatria. "É um reconhecimento da minha trajetória enquanto jovem cientista brasileira, mas também de alguém que fez toda a sua carreira no ensino público", afirma.

"Eu digo que respiro pesquisa, 99,9% do meu tempo é ciência. Então, mesmo tendo concluído o doutorado só em agosto [do ano passado], continuei com colaborações internacionais e vou agora para essa nova etapa", acrescenta.

Segundo informações do próprio Usern, em 2024 foram mais de 90 mil indicações, das quais apenas 150 passaram para a fase final de avaliação. A próxima edição em novembro acontecerá na USP, em São Paulo.

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