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Pepe Mujica encarava morte com naturalidade e vida como aventura

FolhaPress 13/05/2025 18:13

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que morreu nesta terça-feira (13) aos 89 anos, já refletiu sobre a morte anteriormente e a encarava com naturalidade. O óbito do ex-mandatário, que tratava um câncer no esôfago, foi divulgado pelo presidente do país, Yamandú Orsi.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"É preciso morrer", disse em entrevista em abril de 2024, ao anunciar um tumor no esôfago. Na ocasião, o ex-presidente não evitou falar em morte e explicou que o seu caso era "duplamente complexo" porque sofria de uma doença imunológica havia mais de 20 anos.

"Pertencemos ao mundo dos vivos, nascemos destinados a morrer. Por isso a vida é uma aventura maravilhosa. Mais de uma vez na minha vida a morte rondou a cama, desta vez parece que vem com a foice em punho. Vamos ver o que acontece", disse Mujica na entrevista.

Em maio do ano passado também não temeu o questionamento sobre o que achava da morte. Mujica refletiu ao jornal Folha de São Paulo que a grandeza e a tragédia da vida humana estava em não poder escapar do "programa biológico" que prevê o nosso fim.

SESC PICASSO

"A morte é talvez o que dá valor à vida. Tudo o que é vivo está condenado a morrer. Qual é a diferença que a vida tem das pedras? A vida pode sentir dor, alegria, tristeza, desejo. Parece que temos a função de emprestar uma inteligência ao mundo da vida. Às vezes acreditamos ser donos. Não, somos parte. Mas queremos continuar vivendo. Nossa maneira de lutar contra a morte é uma luta impossível que sempre perderemos, mas lutamos com amor", afirmou.

"Não podemos escapar, porque somos um programa biológico para isso. Aí está a nossa grandeza e nossa tragédia. E fazemos perguntas eternas que não têm resposta. Se a vida tem um sentido. Se há um além. Mas certamente desempenhamos um papel na natureza. Pelo menos, estragamos tudo. Complicamos a vida dos outros bichos", falou ainda à Folha de S.Paulo.

"Estou condenado", disse Mujica, em janeiro deste ano. Ao jornal Búsqueda, o ex-presidente disse que "quando chegar a hora de morrer, eu morro".

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