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Parque Moscoso: história de um refúgio verde

Vitória News 21/11/2025 13:22

Quem visita o Parque Moscoso iluminado pelo “Natal de Encantos” dificilmente imagina que, até o final do século XIX, o espaço era um pântano insalubre conhecido como Campinho, Lapa do Mangal ou Mangal do Campinho. Ali se concentravam águas paradas, lama, restos orgânicos e doenças como febre amarela e malária. A transformação dessa área problemática em um dos refúgios verdes mais emblemáticos de Vitória guarda capítulos importantes da história urbana da cidade.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No século XIX, diferentes governos iniciaram obras de aterro para conter os problemas sanitários. Em 1872, o presidente da Província, Francisco Ferreira Corrêa, já apontava o potencial do local para abrigar um passeio público que melhoraria as condições de saúde. O relatório do Serviço de Saneamento classificava o Mangal do Campinho como o maior foco de emanações pútridas da capital.

Com a chegada da República, o nome Vila Moscoso surgiu em homenagem a Henrique de Ataíde Lobo Moscoso. A área começou a ser loteada e ganhou plano de arruamento em 1895, preparando o terreno para um novo bairro. A modernização urbana avançou no governo Jerônimo Monteiro, que decidiu construir ali um jardim público inspirado nos modelos europeus.

SESC PICASSO

Em 1910, o paisagista Paulo Rodrigues da Motta Teixeira foi contratado para projetar o parque. Inspirado nas ideias de Joseph-Antoine Bouvard, de Paris, ele incorporou elementos do ecletismo e do art nouveau. O resultado, inaugurado em 1912, foi um jardim com 24 mil metros quadrados, lagos artificiais, ilhas, fontes ornamentais, coreto, orquidário, pontes e alamedas sinuosas. A imprensa da época elogiou as esculturas importadas e a fonte em ferro fundido que se tornaria a Fonte Jeronymo Monteiro.

O Parque Moscoso tornou-se símbolo de elegância e convivência social. Suas alamedas recebiam o footing, apresentações de bandas, piqueniques, festas cívicas e missas campais. O entorno, já valorizado antes da inauguração, atraiu famílias de maior poder aquisitivo, com destaque para a Vila Oscarina, primeira residência da cidade com luz elétrica e telefone.

CONTADOR - BONUS

Ao longo do século XX, o parque passou por transformações. Em 1952, ganhou a Concha Acústica e a escolinha Ernestina Pessoa, únicos exemplares tombados da arquitetura moderna no Estado. Na década de 1970, recebeu muros e grades. Em 2001, a Prefeitura de Vitória iniciou ações para recuperar o projeto original de Paulo Motta, resgatando características históricas e paisagísticas.

[caption id="attachment_118251" align="alignleft" width="1016"] Parque Moscoso nos dias atuais, 2025. Foto: Jansen Lube/PMV[/caption]

Hoje, o Parque Moscoso segue como um dos espaços públicos mais queridos da capital, unindo memória, paisagem e lazer, e reafirmando seu papel como refúgio verde no coração de Vitória.

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