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Pantanal ganha reserva de proteção em área estratégica em MS

FolhaPress 10/06/2024 20:10

CAMPO GRANDE, MS (FOLHAPRESS) - Uma portaria do Ministério do Meio Ambiente criou a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Howard Quigley, com 643,33 hectares na região do pantanal, em Corumbá (MS). A nova área com esse status de proteção se soma a outros 87,1 mil hectares de reservas federais em Mato Grosso do Sul.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De propriedade da ONG Panthera Brasil, a reserva tem como objetivo garantir a conservação da diversidade biológica no bioma, que, neste ano, volta a enfrentar seca severa e o risco crescente de incêndios florestais.

Apesar de ficar em território sul-mato-grossense, o acesso principal é feito por Porto Jofre (MT), por meio da rodovia Transpantaneira e, depois, por via fluvial.

A portaria de criação foi publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, assinada pelo presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires. O nome da RPPN homenageia um biólogo americano que foi pioneiro no estudo da onça-pintada no Brasil e que morreu em setembro de 2022.

"[A medida] ajuda a formar um mosaico de áreas protegidas", diz Fernando Tortato, pesquisador da Panthera Brasil. A ONG foi criada em 2014, com foco na conservação das nove espécies nacionais de felinos selvagens e seus ecossistemas.

SESC PICASSO

Segundo Tortato, em 2013, a organização adquiriu a área, que fica dentro da chamada baía das Piranhas, com intuito de conservação.

Somente dez anos depois o processo burocrático da criação da RPPN avançou, em parceria com o projeto Piúva Rosa, além de Rainforest Trust, Pew Charitable Trusts e Andes Amazon Fund.

O pesquisador pondera que a área é pequena em comparação a outras reservas federais no estado, como a Fazendinha, em Miranda (MS), que tem cerca de 9.600 hectares, mas a Howard Quigley, ele avalia, é estratégica por estar localizada na confluência dos rios Cuiabá e Piquiri, na sub-região do Paiaguás, vizinha ao Parque Estadual Encontro das Águas, já no território de Mato Grosso.

"Acaba formando um corredor, expandindo a zona de proteção do entorno", explica o pesquisador.

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A ONG tem buscado parcerias para turismo de observação de felinos, com construção de torres e trilhas na nova reserva.

Segundo levantamento da organização, foram identificadas na RPPN Howard Quigley 172 espécies vegetais, 365 espécies de aves, 53 de mamíferos, 37 de anfíbios e 75 de répteis. Na lista, constam animais em risco de extinção, como tatu-canastra, ariranha, lobo-guará, cachorro-do-mato-vinagre, tamanduá-bandeira e onça-pintada.

Outras duas áreas em Mato Grosso do Sul estão em avaliação para se tornarem reserva federal, com pedidos elaborados pelo projeto Piúva Rosa e ações executadas a cargo da Funatura (Fundação Pró-Natureza).

O coordenador geral do projeto, Laércio Machado de Sousa, conta que são terras localizadas em Bonito e Miranda. Além da RPPN Howard Quigley, o Piúva Rosa também auxiliou na criação da reserva de 38,4 hectares da Lagoa Misteriosa, em Jardim, oficializada em abril.

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No total, segundo dados da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Mato Grosso do Sul tem 52 RPPNs cadastradas como unidades de conservação, com 66,618 mil hectares de reservas estaduais e 87,775 mil hectares de reservas federais. No país, são 775 reservas federais, com 531,526 mil hectares.

Para Tortato, a oficialização como reserva federal também é importante para "ganhar aliados", como o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e as equipes do Ibama/PrevFogo no combate aos incêndios florestais.

"É uma realidade: o pantanal está enfrentando um ciclo severo de secas. O rio Paraguai está em um dos menores índices registrados. O bioma se torna muito mais vulnerável", conclui.

Desde abril, o Corpo de Bombeiros de MS prepara ações de combate aos incêndios florestais, por conta da estiagem e das chuvas abaixo da média. Daquele período até agora, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o estado registrou 618 focos de incêndios, 260 somente no pantanal.

No somatório do ano, o bioma localizado nos estados de MT e MS registrou 1.069 focos de incêndio. Em 2023, foram 106 pontos no mesmo período.

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