Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h53m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Padilha assume Saúde com desafio de frear crises sanitárias e emplacar marca do governo

FolhaPress 26/02/2025 18:00

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT) assumirá o comando do Ministério da Saúde com o desafio de frear crises sanitárias, como a da dengue, além de emplacar na pasta uma marca forte do governo Lula (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Padilha ainda terá de lidar com a cobiça do Congresso sobre o orçamento da Saúde. Em 2024, as emendas parlamentares drenaram mais de 40% da verba empenhada para custeio e investimentos da pasta. Na passagem anterior de Padilha pela Saúde, encerrada em 2014, menos de 20% desses recursos eram direcionados por deputados e senadores.

A mudança no ministério foi confirmada na terça-feira (25) pelo Palácio do Planalto, cinco dias após a Folha de S.Paulo revelar que o presidente Lula (PT) havia decidido demitir a socióloga Nísia Trindade do comando da pasta. Atual ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Padilha deve tomar posse no Ministério da Saúde no dia 6 de março.

A gestão de Nísia vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, de membros do Palácio do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma marca forte na área.

SESC PICASSO

Em momento de baixa popularidade do governo federal, o presidente deseja que a pasta torne popular programas como o Mais Acesso a Especialistas, que promete encurtar o tempo para a realização de consultas e exames especializados nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

Ainda há expectativa do Planalto de que o novo ministro amplie a mobilização contra crises sanitárias. A explosão de casos e mortes pela dengue gerou críticas ao governo Lula no último ano. Horas antes de ser demitida, Nísia anunciou uma parceria para produção nacional da vacina contra a dengue do Instituto Butantan, mas o registro do imunizante ainda está sob análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Outro ponto sensível na Saúde é a oferta de vacinas e medicamentos.

Levantamentos divulgados pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) no fim do último ano apontaram falta de diversos modelos de imunizantes, inclusive contra a Covid. Ainda é tema de preocupação do governo o descarte de um estoque bilionário de insumos feito nos últimos anos.

CONTADOR - BONUS

Mesmo antes da confirmação da queda Nísia, integrantes do governo já negociavam as mudanças que seriam feitas na equipe do ministério sob Padilha. Ainda pediram a entidades ligadas à indústria do setor que, depois do anúncio oficial, apoiassem a nomeação.

A análise de autoridades que acompanham a transição do comando da Saúde é que Padilha deve promover mudanças na Secretaria Executiva, hoje comanda por Swedenberger Barbosa (PT), e na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, chefiada pela epidemiologista Ethel Maciel. São pastas que lidam com temas sensíveis ao governo, como elaboração do orçamento, compras públicas e logística, além da resposta às crises sanitárias.

A atual equipe de Nísia ainda é composta por nomes que atuaram com a ministra na Fiocruz, como o secretário de Ciência e Tecnologia, Carlos Gadelha, e que também são citados entre integrantes do governo como candidatos mais fortes a deixarem a nova gestão. Entre outros temas, a pasta de Gadelha lida com as bilionárias parcerias entre laboratórios públicos e privados para a produção de vacinas e medicamentos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Interlocutores de Padilha avaliam que o secretário de Atenção Especializada, Adriano Massudo, deve se tornar um dos principais auxiliares do novo ministro. Ele comanda o setor que executa o Mais Acesso a Especialistas e foi secretário-executivo substituto da Saúde em 2011 e 2012, durante a gestão anterior de Padilha na Saúde.

Massuda ainda participou, em 2022, da banca de doutorado do novo chefe da Saúde. Autoridades do governo avaliam que ele pode ser nomeado secretário-executivo da nova gestão, uma espécie de vice-ministro, mas a troca ainda não teria sido acertada.

Padilha ainda deve manter na pasta nomes que já trabalharam na Saúde em sua gestão anterior, encerrada no começo de 2014, como o atual secretário de Atenção Primária, Felipe Proenço.

O novo ministro também teria sinalizado que deseja nomear Eliane Cruz como chefe de gabinete, cargo que ela ocupou na passagem anterior de Padilha pelo ministério. Ela é coordenadora do setor de saúde do PT nacional.

Outra aposta no governo é que Padilha levará para a Saúde o médico Mozart Sales. Ele é o atual assessor especial na SRI e tem participado das discussões entre o governo e o Congresso sobre a liberação das emendas. O Ministério da Saúde concentra cerca de metade do valor indicado anualmente por deputados e senadores.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas