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Pacientes perdem globo ocular após cirurgias em mutirão em clínica no PA

FolhaPress 17/10/2024 20:20

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil e o Ministério Público do Pará investigam o caso de ao menos 20 pacientes que sofreram infecções bacterianas após realizarem procedimentos cirúrgicos em uma clínica privada de oftalmologia de Belém, que atua em convênio com o SUS (Sistema Único de Saúde). Todas as intervenções teriam sido feitas no mesmo dia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Cerca de 40 pessoas realizaram cirurgias de catarata na clínica São Lucas em 1º de julho de 2024. Desse total, pelo menos 22 pacientes apresentaram problemas no pós-cirúrgico e algumas dessas pessoas tiveram que retirar o globo ocular.

O advogado que representa 11 pacientes afetados pelos procedimentos alega que cinco deles precisaram retirar o globo ocular. Em entrevista à Rede Liberal, afiliada da TV Globo no estado, Cássio Souza informou que, inicialmente, a clínica tentou "culpar os pacientes", sob a alegação de que "eles não teriam tomado os cuidados necessários no pós-operatório". Entretanto, quando mais pessoas relataram problemas, a clínica teria tentado fazer acordos com os clientes, que não aceitaram.

"Pelo número grande de pacientes infectados a gente vê que é um padrão de negligência. A clínica começou a fazer propostas de auxílio, de reparação. Fez proposta de R$ 35 mil, parcelado em dez vezes, só que muitos pacientes acham que esse valor não vai cobrir a amputação de um olho", afirmou Souza.

SESC PICASSO

Advogado diz que o grupo de pacientes que ele representa pede indenização por danos morais, materiais e estéticos. "São 11 pacientes que estamos acompanhando. Esses pacientes confiavam [na clínica] e vieram com o principal objetivo de ter a recuperação das vistas, mas, pelo contrário, tiveram essa infecção. Alguns tiveram que amputar os olhos. São pessoas idosas que tinham vida independente e agora se tornaram dependentes de outras pessoas".

PACIENTES RELATAM TRANSTORNOS

Duas mulheres que realizaram procedimentos na clínica alegam que a saúde de seus olhos piorou. "Passei pela cirurgia, fiz limpeza duas vezes e não deu certo. Uma dor intensa, que mesmo tomando remédio não passava. Fiz transplante de córnea, que também não deu certo por conta da bactéria e tive que fazer a retirada do olho", declarou Albanise Soares, 65, à Rede Liberal.

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Outra paciente, que não tive a identidade divulgada, afirma que sua vida virou "um pesadelo". "Estava com esperança muito grande de enxergar e de repente minha vida mudou completamente. Eu pensava que iria mudar para melhor, mas [mudou] para pior. Eu não saio de casa desde que operei, não saio para canto nenhum. Fico completamente isolada, porque tenho dificuldade para enxergar. É bem difícil, é um pesadelo", contou ela à afiliada da Globo.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE SAÚDE

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém informou que as cirurgias realizadas na clínica "não faziam parte de um mutirão". Conforme a pasta, foram realizados dois dias de procedimentos: o primeiro, em 12 de junho, com 41 pacientes, "dos quais dois tiveram intercorrências".

No caso dos pacientes atendidos em 1º de julho, "foram realizadas 40 cirurgias de catarata, e 22 pacientes apresentaram intercorrências", diz a Secretaria.

Secretaria ressaltou que os serviços ofertados em convênio com a clínica São Lucas serão preventivamente suspensos. Ainda, a pasta destacou que funcionários da Vigilância Sanitária estiveram no local para realizar inspeção e, em um primeiro momento, não encontraram irregularidades.

POLÍCIA INVESTIGA EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA

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Polícia Civil do Pará informou que o caso é investigado pela delegacia de Icoaraci, distrito de Belém onde a clínica São Lucas fica localizada. De acordo com o órgão, é apurada a suposta prática de exercício irregular da medicina e de venda de casada de procedimentos. Até o momento, ninguém foi preso. A PCPA também não informou se as vítimas e os responsáveis pela clínica, bem como os profissionais que realizaram os procedimentos, já foram ouvidos.

Conselho Regional de Medicina do Pará também investiga o caso. Segundo o órgão, a clínica está regularizada para funcionamento, mas destacou que uma inspeção no local feita na quarta-feira (16) apontou para "situações preocupantes", como a presença de uma máquina de lavar dentro do centro cirúrgico e formol envolto em gases jogados no chão. Relatório do Conselho sobre a inspeção deverá ser entregue às autoridades para auxiliar na investigação.

Clínica nega irregularidades e afirma que todos os procedimentos foram realizados "a partir de prévias consultas médicas com todos os pacientes". A clínica São Lucas também afirmou colaborar com as investigações e que tem prestado "todo o suporte necessário aos pacientes e familiares, inclusive em relação a pacientes com ações judiciais em curso".

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