A megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, deixou um rastro de destruição, medo e indignação. Com 64 mortos confirmados, 81 presos e 93 fuzis apreendidos, a Operação Contenção é considerada a maior dos últimos 15 anos e a mais letal da história do estado.
Barricadas e fogo nas ruas, bloqueios de vias e impactos em escolas, universidades e postos de saúde marcaram o dia. Enquanto o governo do estado afirmou que o objetivo da ação era conter o avanço da facção Comando Vermelho, entidades e lideranças de favelas denunciaram o que chamam de “política de extermínio”.
“Os corpos negros estão no chão da favela”
O militante do movimento de favelas e diretor da Iniciativa Direto à Memória e Justiça Racial, Fransérgio Goulart, criticou a desigualdade na atuação policial. “Chama a atenção os corpos negros algemados, jogados no chão da favela. A polícia não age assim na Zona Sul. Nos territórios pretos, ela age historicamente de outra forma”, disse.
Goulart destacou também a indiferença diante das mortes. “No mundo inteiro, 64 mortos provocariam comoção e responsabilização. No Rio, isso se naturaliza. O governador passa ileso, e a política de segurança pública continua matando.”
Críticas ao uso do orçamento público
O ativista questionou o alto custo das operações policiais. “O orçamento previsto para as polícias do Rio em 2026 é de R$ 19 bilhões. Esses recursos financiam uma política de morte, não de inteligência. É preciso saber o custo humano e financeiro de uma cidade parada pelo medo.”
Desigualdade e violência estrutural
Movimentos sociais e ONGs reforçam que as operações atingem de forma desproporcional a população negra e periférica. Para eles, é necessário repensar o modelo de segurança pública com base em direitos humanos, políticas sociais e combate efetivo às causas do crime, e não apenas no confronto armado.