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Octomãe ganha cinebiografia e diz que foi vítima de negligência médica: 'Fui feita de cobaia'

FolhaPress 11/05/2025 09:31

SÃO PAULO, SP (FOLHARESS) - Em 26 de janeiro de 2009, Natalie Suleman entrou para a história da medicina ao dar à luz oito bebês vivos de uma só vez, concebidos por fertilização in vitro. Os óctuplos nasceram saudáveis, após 31 de semanas de gestação.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Então uma estudante solteira, que morava com os pais e já tinha outros seis filhos, Natalie foi apelidada de Octomãe e alçada ao posto de celebridade quase que instantaneamente. Durante anos, sofreu escrutínio público e foi acusada de usar os filhos para obter fama e benefícios sociais.

Na época, foi dito que ela se inseminou propositalmente com múltiplos embriões --o que agora, aos 49 anos, ela diz não ser bem verdade. No novo filme "A Octomãe", que estreia dia 31 de maio no canal Lifetime, Natalie conta que nunca desejou a gravidez múltipla e afirma ter sido ludibriada pelo seu médico, Michael Kamrava, que teve a licença revogada dois anos após o nascimento dos óctuplos.

Em conversa com jornalistas, da qual o F5 participou, ela afirma que queria "só" sete filhos, e não 14, mas que foi mal compreendida e injustiçada pela mídia. "Fui vítima de desinformação. Nunca quis ter mais de sete filhos. Eu tinha seis e queria mais um, o que já é bastante para uma mãe solteira", diz. "Eu fui feita de cobaia."

SESC PICASSO

Na cinebiografia, em que ela também aparece como produtora-executiva, Natalie é interpretada pela atriz Kristen Lee Gutoskie em cenas de dramatização, que são intercaladas com depoimentos dela e dos filhos.

CELIBATO

Natalie nunca se casou. Teve todos os 14 filhos pelas mãos do doutor Kamrava. Criou a prole junto com a mãe, Angela, que morreu em 2014, e com o pai, Eddie, morto em 2021. É cristã fervorosa e se define como "extremamente introvertida". Questionada sobre sua vida amorosa durante todos esses anos, ela revelou ser assexual e celibatária.

"Vivo em celibato há mais de 25 anos e posso ser entendida como assexual. Minha vocação durante toda a vida foi ser mãe, nunca esposa. Sim, é solitário, mas nunca tive interesse em ter um par", explica.

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Durante a criação dos primeiros seis filhos, Natalie fez graduação e mestrado na área de educação. Após o nascimento dos óctuplos, porém, se rendeu ao assédio da mídia em troca de dinheiro. Vendeu entrevistas, fez reality shows e posou para ensaios sensuais.

"Eu estava no modo sobrevivência", justifica. "Nunca quis a fama, nunca quis estar aos olhos do público. Sempre me escondi na universidade", diz.

Ao longo dos anos, ela desenvolveu ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático, que trata até hoje. "Não sou a Octomãe. Meu verdadeiro caráter é a antítese total da caricatura fragmentada e desumanizada que inventaram de mim", lamenta. "É fácil para o público projetar ódio em algo que não é humano ou que não se percebe como humano."

COMO TUDO ACONTECEU

Diagnosticada com endometriose, Natalie começou cedo a tratar a infertilidade. Conheceu o doutor Kamrava, na época um especialista renomado de Beverly Hills. Em um dos procedimentos, o médico a inseminou com cinco embriões, resultando em apenas um bebê.

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No ano seguinte, transferiu seis embriões. Nasceram gêmeos. Na próxima tentativa, ele implantou o número sem precedentes de 12 embriões, resultando nos óctuplos.

"Eu estava sob efeito de medicamentos quando ele me perguntou se eu queria que transferisse o resto dos embriões. Meu útero estava se contraindo e ele pensava que eu poderia estar expulsando. Eu não estava lúcida e disse que sim. E ele transferiu outros seis", afirma.

Em 2011, Kamrava foi expulso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e cumpriu cinco anos de prisão domiciliar. O caso de Natalie inspirou leis sobre FIV em todo o território americano. No Brasil, a prática médica é implantar apenas dois embriões por vez.

"Me arrependo de não tê-lo processado", diz Natalie. "Praticamente me atirei debaixo do ônibus para protegê-lo. Se não fosse pelo seu procedimento inovador, eu não teria minha família e, por isso, meu coração não me deixou processá-lo", explica. "Ele cometeu uma negligência grave e eu o acobertei durante anos."

"A Octomãe" estreia dia 31 de maio às 22h no canal pago Lifetime.

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