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'O Vazio de Domingo à Tarde' é sonolento ao narrar crise de estrela

FolhaPress 11/11/2024 15:36

(FOLHAPRESS) - Em "O Vazio de Domingo à Tarde", Mônica, personagem de Gisele Frade, é uma atriz tão célebre quanto, digamos, uma Vera Fischer ou Sônia Braga algum tempo atrás.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ela termina uma filmagem em Goiás completamente estressada. Não quer fazer novela na televisão, quer voltar para Brasília e encontrar o marido, precisa fazer outro filme etc. Na outra ponta está Kelly, papel de Ana Eliza Chaves, uma adolescente que idolatra Mônica e pretende ser atriz como ela.

Entre as duas há uma série de homens, mas pode-se falar deles depois. Mais importante que eles é o celular. Kelly o usa para fazer fotos sensuais e postar em algum aplicativo, esperando experimentar a mesma celebridade de Mônica.

Ele é usado também para revelar certos segredos comprometedores da estrela. Bisbilhotices de intimidade, enfim. Kelly, por sua vez, será contatada por um suposto agente que pretende torná-la famosa.

Mônica está insatisfeita com o marido, que só pensa em continuar em Brasília para estar perto do pai, à beira da morte e em estado de coma. Mal se dá conta de que o marido também não está tão feliz assim ao lado dela.

Kelly briga com o namorado e segue o suposto agente. Ele a leva para um muquifo, seu suposto estúdio, onde é acompanhado por um tipo sinistro. Tudo parece muito ameaçador. Estupro parece mais que uma hipótese.

SESC PICASSO

Mas Kelly não é boba como parece. Ela já mandou filme, foto do cara, tudo para o irmão. Se ele fizer alguma coisa, basta avisá-lo. A partir de então, admita-se, ele se comporta como um cavalheiro.

A ressaca da celebridade e a ambição de se tornar célebre são os dois lados dessa história que retoma o tema clássico da estrela prestes a decair e da jovem fã que admira a outra mais como projeção de si mesma.

No caso de Kelly, a composição da personagem é um pouco estranha. Ora ela parece ingênua e um tanto caipira, com maquiagem horrível e tal, ora se mostra capaz de manipular quem estiver por perto para chegar onde quer chegar.

CONTADOR - BONUS

Já as idas e vindas de Mônica parecem compatíveis com seu estado mental bem instável. Talvez o exemplo mais evidente se dê quando topa filmar com um diretor com quem se havia dado mal no passado. Fala coisas como "naquele tempo eu era uma criança". Ok, o tal diretor também lhe endereça palavras cálidas. Logo no primeiro ensaio, porém, o tipo se mostra um sádico dos mais abjetos.

Por abjeto que seja, admita-se que é o único elemento a de fato tirar "O Vazio do Domingo" da modorra dominical e dar uma sacudida no filme. Mesmo o apelo às funções do celular e de suas imagens hoje em dia está batido, ainda que se conceda o fato de o filme estar ambientado em 2019, não muda nada.

O VAZIO DE DOMINGO À TARDE

Avaliação Regular

Onde Nos cinemas

Classificação 14 anos

Elenco Gisele Frade, Erom Cordeiro e Ana Eliza Bussolo

Produção Brasil, 2024

Direção Gustavo Galvão

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