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O mais arriscado seria não apoiar o TFFF, diz ministro climático da Noruega, sobre recuo alemão

FolhaPress 11/11/2025 14:06

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O ministro de Clima e Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, reafirmou o apoio de seu país ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), criado pelo governo brasileiro, em entrevista à reportagem nesta terça-feira (11).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Questionado sobre a motivação do governo alemão, que, segundo reportagem do UOL, não anunciou um aporte de recursos no mecanismo por temor a riscos financeiros, o norueguês respondeu que cada país deve fazer sua própria avaliação, mas foi firme: "Do nosso lado, sentimos talvez que o maior risco agora seria não apoiar a ideia do TFFF", afirmou.

Eriksen disse que, embora tenha havido avanços no financiamento para florestas nos últimos anos, inclusive no Brasil, ainda faltam recursos e acesso a eles. "Uma maneira muito importante de preencher essa lacuna é certamente poder unir financiamento privado e público da maneira que o TFFF faz", explicou.

SESC PICASSO

Visitando Belém para participar da COP30, a conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, ele participou do evento "Papel da Energia Renovável no Combate à Crise Climática" no Espaço Folha na manhã desta terça.

O investimento de US$ 3 bilhões (R$ 15,8 bilhões) em dez anos anunciado pela Noruega na quinta-feira (6) foi o maior aporte prometido até agora.

O ministro da pasta ambiental acrescentou que a promessa norueguesa está condicionada à mobilização de pelo menos US$ 10 bilhões de capital estatal pelo TFFF, além da adoção de um "modelo financeiro final sólido" e de um "sistema de gerenciamento de risco adequado".

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"Mas, dado o trabalho já realizado pelo Banco Mundial, nos sentimos muito confiantes de que esse será o caso."

O fundo chegou a US$ 5,5 bilhões em investimentos anunciados na Cúpula de Líderes, que precedeu as negociações da COP. Os valores foram comemorados pelo governo brasileiro, embora ainda representem menos de um quarto (22%) do que o Brasil espera reunir em verbas públicas.

O Ministério da Fazenda afirmou desde a concepção do fundo que o objetivo era arrecadar US$ 25 bilhões dos países patrocinadores. Às vésperas da COP30, o ministro Fernando Haddad disse que a meta é chegar ao fim de 2026 com US$ 10 bilhões em aportes públicos.

LACUNA DE AMBIÇÃO CLIMÁTICA

Eriksen também afirmou que a Noruega deve apoiar a inclusão do debate sobre a falta de ambição das metas climáticas nacionais na agenda oficial da COP30. A iniciativa foi proposta pelo grupo de negociação dos pequenos Estados insulares, os mais vulneráveis ao aumento de temperaturas.

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Um relatório divulgado pelo braço climático da ONU na segunda (10) mostrou que, considerando as metas já entregues, as emissões de carbono devem cair cerca de 12% até 2035, comparado aos níveis de 2019. O número fica muito abaixo do corte de 60% considerado necessário para conter o aquecimento global em 1,5°C até o final do século.

"Precisamos abordar a lacuna entre a soma das NDCs [sigla para contribuições nacionalmente determinadas, como são chamados os compromissos dos países] e as metas do Acordo de Paris, então apoiamos essa abordagem", disse.

"Existem instrumentos no Acordo de Paris para trabalhar nisso, mas é importante que sejamos capazes de sentar juntos e mergulhar nessas conversas difíceis."

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