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Nunes não entrega terreno doado por Covas para construção de hospitais

FolhaPress 25/09/2024 14:35

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Ricardo Nunes (MDB) não entregou dois terrenos doados por Bruno Covas (PSBD) para a construção de dois hospitais públicos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) na Vila Clementino, zona sul de São Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em um dos endereços havia previsão de um centro oncológico. No segundo, localizado no mesmo bairro, seria erguido um centro de saúde para a terceira idade. As obras seriam feitas e administradas pela Unifesp.

A doação era uma promessa de Covas, autorizada em 2019, mesmo ano que recebeu o diagnóstico de câncer. O ex-prefeito morreu por complicações da doença em 2021, aos 41 anos.

No local, atualmente funcionam dois estacionamentos da prefeitura. Moradores e trabalhadores da região dizem nunca terem visto sinais das obras.

Segundo Soraya Soubhi Smaili, ex-reitora da Unifesp e responsável pela negociações na época, Nunes deixou de receber representantes da reitoria para tratar da construção após assumir a gestão.

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Atual candidato à prefeitura, Nunes era vice e assumiu como prefeito definitivo da capital em maio de 2021.

Em nota, a prefeitura afirma que "mantém diálogo contínuo com representantes da Universidade Federal de São Paulo" e que está em análise uma proposta de termo de compromisso entre a universidade e a subprefeitura da Vila Mariana.

"Cabe ressaltar que a cessão da área foi aprovada no âmbito do Plano Municipal de Desestatização, que exige o preenchimento de diversos trâmites administrativos, que seguem em curso", acrescenta a nota.

Soraya afirma que Covas retirou os locais de uma lista de terrenos da prefeitura à venda para se comprometer com a doação

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Ainda segundo a ex-reitora, o ex-prefeito também teria convocado uma reunião para assinar e formalizar o ato, mas que o encontro foi adiado pela reitoria para o tratamento de câncer do então prefeito durante a pandemia.

O tucano morreu antes da assinatura definitiva, afirma ela, que também é professora titular da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Na rua Diogo de Faria, 799, a doação previa um centro de tratamento de câncer que ofereceria diagnóstico e tratamento da doença. Já na rua Botucatu, 907, um centro para terceira idade com ortopedia, fisioterapia e serviços de reabilitação para idosos.

Os dois centros fariam atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), além de pesquisas e residência médica.

Em novembro de 2020, uma reunião da CMPT (Comissão do Patrimônio Imobiliário do Município de São Paulo) com a subprefeitura da Vila Mariana já havia dado parecer favorável às duas obras e definido que o hospital oncológico deveria funcionar total ou parcialmente quatro anos após ser oficializado.

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A Unifesp afirma que os hospitais seriam construídos e financiados com recursos da União, mas que a matrícula dos dois imóveis não foi transferida à universidade. Assim, os hospitais seguem sem previsão de início.

"Existe uma demanda enorme para o tratamento do câncer e para tratar de doenças ligadas ao envelhecimento em nossa sociedade cada vez mais envelhecida. Então, a cidade perdeu", diz a ex-reitora.

Até setembro deste ano, 1.831 pacientes aguardam avaliação oncológica na rede municipal, segundo a Secretaria Municipal da Saúde.

A pasta afirma que o número é 47% menor em relação a 2023 e que nos últimos dois anos atendeu a 97.182 pacientes no Centro Oncológico Bruno Covas, na Vila Santa Catarina, zona sul.

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