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Nunes defende fim da fiscalização de barulho em shows em meio a impasse no Allianz

FolhaPress 19/12/2024 19:58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu o fim da fiscalização por excesso de ruído em shows e grandes eventos enquanto a Justiça decide sobre a liberação de um evento gospel de Ano-Novo no Allianz Parque. O local foi punido com fechamento administrativo após ter atingido o limite de multas por descumprimento da Lei do Psiu (Programa Silêncio Urbano), mas obteve uma liminar na Justiça que liberou a realização de shows até o próximo dia 23.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"A gente precisa entender também a questão do interesse da cidade, que precisa ser compatibilizado com o direito das pessoas que moram no entorno do Allianz [Parque], com relação ao barulho, não podemos permitir, mas também a gente precisa entender que o Allianz é hoje uma fonte de receita para a cidade enorme na geração de emprego e de renda", disse nesta quinta-feira (19), após ser diplomado prefeito de São Paulo pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo).

Multada pela terceira vez por excesso de ruído, a arena localizada na Água Branca, bairro na zona oeste da capital, foi submetida no mês passado ao fechamento administrativo, sanção prevista em lei municipal de 2016. Para manter a programação, a Real Arenas, administradora do Allianz Parque, foi à Justiça.

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No dia 31, após o período de liberação, está previsto um evento de virada de ano gospel, organizado pela Primeira Igreja Batista da Lagoinha em Alphaville.

A prefeitura chegou a negar conceder alvará para o show, mas decidiu a favor do evento. A liberação, no entanto, está nas mãos da Justiça.

A Real Arenas foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação.

Em meio ao impasse, o Executivo municipal incluiu emenda sobre o assunto em um projeto de lei que amplia um aterro sanitário na zona leste da cidade. O chamado jabuti --termo que define a proposta legislativa de um assunto sem conexão com o projeto original- deve ser votado nesta sexta-feira (20) na Câmara Municipal.

A emenda propõe mudança em trecho do Plano Diretor Estratégico, incluindo shows e grandes eventos na lista de ocasiões em que as regras do Psiu não se aplicam. Até então, a exceção se limitava a manifestações religiosas, ensaios carnavalescos e juninos, passeatas, desfiles, entre outras ocasiões.

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Moradores do Pacaembu, vizinhos do estádio que também recebe shows, criaram um abaixo-assinado online nesta quinta contra a emenda. Até o fim da tarde havia 63 assinaturas. "É uma ameaça à saúde de todos! Ataca a saúde pública!", diz trecho do documento.

A proibição de emissão de ruídos também passaria a não se estender às instituições de ensino desde que ocorra durante o período das atividades educacionais. Segundo o prefeito, a emenda foi sugerida após uma escola estadual ter sido multada por causa de barulho dos estudantes. "A gente precisa ir readequando essas questões", disse o prefeito.

Localizada na Vila Buarque, no centro da cidade, a escola foi autuada em R$ 44 mil no início de novembro.

Manobras semelhantes ocorreram no Legislativo paulistano em ocasiões anteriores em que o Allianz Parque sofreu fechamento administrativo por excesso de barulho. Em abril de 2022, um dia após a arena ter sido multada, a gestão Nunes enviou projeto de lei à Câmara Municipal para aumentar o limite de decibéis permitido em áreas da cidade que abrigam estádios, aeroportos e centro de convenções, as chamadas Zonas de Ocupação Especial (ZOE).

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Nova tentativa ocorreu cerca de sete meses depois, quando vereadores da base de apoio do prefeito inseriram um jabuti que permitia aumentar de 55 para 75 decibéis o limite de ruído em shows como emenda em projeto de lei sobre a regulamentação das dark kitchens -cozinhas que atendem apenas delivery. O texto foi aprovado e sancionado por Nunes, mas suspenso pela Justiça.

Vizinhos do Allianz Parque travam queda de braço com a administradora do estádio desde a inauguração, há dez anos. Associação de moradores relatam que o som alto dos shows causa trepidações nos apartamentos. Há também reclamações sobre engarrafamentos nas ruas do bairro em dias de evento.

Os limites sonoros são estabelecidos pela Lei de Zoneamento e variam de 40 dB (decibéis) a 65 dB, dependendo do tipo de uso e ocupação permitido para cada área da cidade. O horário também influencia: quanto mais tarde, maior a restrição.

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